Marco Antônio Maia defende fortalecimento das ações preventivas contra crimes violentos

Goianésia - Casos recentes de violência registrados em municípios do Vale do São Patrício voltaram a repercutir sobre o avanço dos crimes contra a vida na região e reforçaram o debate sobre a atuação das forças de segurança pública. Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Polícia de Barro Alto e responsável também pelas investigações em Vila Propício, detalhou o desfecho do feminicídio ocorrido em 2025 no município e apresentou novas informações sobre um homicídio registrado nos últimos dias em Barro Alto.

No primeiro caso, um trabalhador rural acusado de matar a companheira foi condenado pelo Tribunal do Júri a mais de 36 anos de prisão. Já em Barro Alto, um homem foi preso suspeito de assassinar Francisco Pereira da Silva, de 57 anos, utilizando uma barra de ferro, além de ter ameaçado outras pessoas após o crime.

Tribunal do Júri condena autor de feminicídio a mais de 36 anos

Segundo o delegado Marco Antônio Maia, o julgamento do feminicídio em Vila Propício ocorreu menos de um ano após o crime, o que ele classificou como uma resposta rápida do Poder Judiciário.

“Antigamente, um júri demorava anos. Agora, em menos de um ano, a Justiça já deu uma resposta. Isso é importante para servir de exemplo”, afirmou.

De acordo com as investigações da Polícia Civil, o acusado tentou justificar o assassinato alegando que teria sido envenenado pela companheira. No entanto, a investigação descartou essa versão e concluiu que o crime foi premeditado.

“A investigação concluiu 100% que realmente era um crime premeditado. Ele acordou já sabendo que iria matar a esposa e se matar depois”, declarou o delegado.

Polícia identificou tentativa de simular envenenamento

Marco Antônio Maia revelou que o autor procurou veneno horas antes do crime em propriedades vizinhas da fazenda onde trabalhava. Sem encontrar o produto desejado, ele utilizou outro tipo de agrotóxico após matar a companheira com um disparo de arma de fogo.

A Polícia Civil, com apoio da perícia, encontrou o recipiente do veneno e vestígios de vômito próximos ao local, o que reforçou a conclusão de que o próprio acusado ingeriu o produto na tentativa de tirar a própria vida.

“O remédio escolhido tinha substâncias que provocam vômito justamente para evitar intoxicações fatais. Isso acabou impedindo que ele morresse”, explicou.

Após ser socorrido e levado ao Hospital Municipal de Goianésia, o homem foi preso em uma ação conjunta entre as polícias Civil e Militar.

Premeditação aumentou a pena aplicada

Segundo o delegado, o planejamento do crime foi determinante para o aumento da condenação.

“Não foi um caso de discussão ou de forte emoção. Ele premeditou o feminicídio desde cedo. Essa premeditação foi um agravante e aumentou muito a pena”, ressaltou.

A condenação ultrapassou 36 anos de prisão e se tornou uma das maiores já aplicadas em um único crime na comarca de Goianésia.

Marco Antônio Maia destacou que a nova legislação do feminicídio, que prevê penas de até 40 anos de prisão, já começou a produzir efeitos nas decisões judiciais.

Goiás registra aumento nos casos de feminicídio

Durante a entrevista, o delegado demonstrou preocupação com o crescimento da violência contra mulheres em Goiás. Segundo ele, somente em 2025 foram registrados quatro feminicídios na comarca de Goianésia, que inclui Vila Propício.

“No ano passado, Goiás teve 60 feminicídios. Este ano, antes mesmo da metade do ano, o estado já ultrapassou 35 casos”, alertou.

Ele também destacou que a maioria das vítimas nunca procurou ajuda antes do crime.

“Somente cerca de 10% dessas mulheres tinham procurado a delegacia ou pedido medida protetiva. Por isso, é importante que vítimas, amigos e familiares busquem ajuda logo nos primeiros sinais de violência”, afirmou.

Suspeito de homicídio em Barro Alto foi preso após sequência de crimes

O delegado também detalhou a investigação do homicídio ocorrido em Barro Alto. Segundo a Polícia Civil, o suspeito matou um rapaz chamado Francisco Pereira da Silva com golpes de barra de ferro após uma discussão.

Antes do assassinato, ele já havia se envolvido em outra ocorrência violenta durante a madrugada em um bar da cidade, onde espancou um homem que precisou levar mais de 30 pontos na cabeça.

“Em cerca de 12 horas, ele praticou uma tentativa de homicídio, um homicídio consumado e ainda tentava cometer um terceiro crime”, afirmou Marco Antônio Maia.

Após o assassinato, o investigado saiu pelas ruas ameaçando outras pessoas. Em determinado momento, chegou a buscar um facão para atacar uma terceira vítima, mas acabou contido pela Polícia Militar.

Investigação aponta histórico violento do suspeito

Segundo o delegado, o homem já possuía antecedentes criminais, incluindo outras tentativas de homicídio, e havia deixado o sistema prisional recentemente.

“É um indivíduo de alta periculosidade. Em um único dia, fez três vítimas. É uma pessoa que precisa ser retirada do convívio social”, declarou.

A Polícia Civil informou que o investigado será indiciado por homicídio qualificado, tentativa de homicídio e ameaça.

Ciúmes podem ter motivado assassinato em Barro Alto

A motivação do homicídio ainda está sendo analisada, mas a principal linha de investigação aponta para ciúmes envolvendo a vítima e a companheira do suspeito.

“Tudo indica que a motivação foi ciúmes. Segundo testemunhas e pessoas próximas, ele não gostava da aproximação da vítima com sua esposa”, explicou.

O delegado também afirmou que o suspeito apresentava sinais de alteração provocada por álcool e drogas no momento da prisão.

“Ele estava extremamente transtornado. Qualquer pessoa que discutisse com ele corria risco”, relatou.

Polícia destaca importância das provas técnicas

Durante a entrevista, Marco Antônio Maia afirmou que a Polícia Civil trabalha cada vez mais com provas técnicas e científicas para esclarecer os crimes.

“A confissão, hoje, é a menor prova que existe. O que fortalece a investigação são provas objetivas, como sangue, perícia, imagens, testemunhas e objetos apreendidos”, explicou.

Segundo ele, o conjunto probatório reunido nos dois casos foi fundamental para sustentar as investigações e auxiliar o Ministério Público durante os processos judiciais.