Exposição prolongada à luz azul pode afetar o desenvolvimento hormonal de crianças e adolescentes

Goianésia - O uso excessivo de telas e redes sociais tem sido uma preocupação crescente entre especialistas em saúde infantil. Pesquisas recentes sugerem que a exposição prolongada à luz azul, emitida por dispositivos como smartphones, tablets e computadores, pode estar relacionada ao início precoce da puberdade.

Um estudo da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica apontou que o contato frequente com esses dispositivos pode acelerar o crescimento ósseo e alterar o equilíbrio hormonal. Segundo a endocrinologista pediátrica Marília Barbosa, essa interferência ocorre porque a luz azul reduz a produção de melatonina, hormônio essencial para a regulação do sono e do desenvolvimento infantil: "A queda nos níveis de melatonina pode desregular o sistema hormonal da criança, antecipando sinais da puberdade. Isso pode impactar o crescimento, o comportamento e até mesmo a saúde emocional dos jovens."

A puberdade é um processo natural de transição entre a infância e a vida adulta, normalmente ocorrendo entre os 8 e 13 anos em meninas e entre os 9 e 14 anos em meninos. Quando essas mudanças começam antes da idade esperada, caracteriza-se a puberdade precoce, que pode trazer impactos físicos e emocionais significativos: "Os pais devem observar sinais como crescimento acelerado, surgimento de pelos pubianos, desenvolvimento das mamas em meninas e aumento do volume testicular em meninos antes da idade esperada. Mudanças de humor, irritabilidade e ansiedade também podem ser indícios de alterações hormonais”, explica a médica.

A puberdade precoce pode causar baixa estatura na vida adulta, já que o fechamento prematuro das cartilagens de crescimento impede o crescimento total. Além disso, crianças que passam por essa fase mais cedo podem enfrentar dificuldades emocionais e sociais, aumentando o risco de ansiedade, depressão e problemas de autoestima. Estudos também indicam uma maior probabilidade de desenvolver obesidade, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares no futuro.

Diante desses riscos, especialistas recomendam que os pais limitem o tempo de exposição às telas, principalmente à noite, incentivem hábitos saudáveis, como prática de atividades físicas e alimentação equilibrada, e garantam que a criança tenha um sono de qualidade. Caso haja sinais de puberdade precoce, é fundamental procurar um endocrinologista pediátrico para avaliação e, se necessário, tratamento adequado.