Goianésia - O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo realizado em 2 de abril, estabelecido em 2007, tem como objetivo disseminar informações sobre o transtorno e reduzir a discriminação e o preconceito enfrentados pelas pessoas autistas. Os transtornos do espectro autista (TEAs) geralmente se manifestam na infância, persistindo na adolescência e na vida adulta. Na maioria dos casos, os primeiros sinais surgem até os 5 anos de idade. Além disso, pessoas com TEA frequentemente enfrentam condições associadas, como epilepsia, depressão, ansiedade e TDAH (transtorno de déficit de atenção e hiperatividade). O nível intelectual pode variar bastante, indo de um comprometimento severo a habilidades cognitivas acima da média.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 70 milhões de pessoas em todo o mundo são diagnosticadas com TEA, sendo dois milhões no Brasil. Apesar dos avanços médicos, muitos pais e responsáveis ainda enfrentam grandes dificuldades para obter um diagnóstico precoce.
Luciana Leão, moradora de Goianésia e mãe de João Francisco, de dois anos, diagnosticado com autismo, compartilha que o período de diagnóstico foi marcado por incertezas, mas que o diagnóstico precoce permitiu que ela iniciasse o tratamento adequado para seu filho: “O processo foi um período muito difícil, repleto de dúvidas sobre o futuro do João. Mas, graças ao diagnóstico precoce, conseguimos iniciar um tratamento que tem feito toda a diferença no desenvolvimento dele. Acredito que a conscientização sobre o autismo é essencial para que mais famílias possam identificar os sinais e buscar ajuda o quanto antes”, explicou.
A advogada Tatiane Takeda, professora e membro da Comissão dos Direitos da Pessoa com Deficiência da OAB/GO, explica que ainda há dificuldades para garantir que os tratamentos para pessoas autistas sejam incluídos nos planos de saúde. Isso acontece devido a divergências nas interpretações das cortes supremas sobre se o rol da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) é taxativo ou exemplificativo: “Infelizmente, a falta de uma regulamentação mais clara prejudica muitas famílias que enfrentam dificuldades em garantir o acesso a tratamentos essenciais. A luta por mais direitos e garantias para as pessoas com TEA continua sendo um desafio constante.”
É importante destacar que o autismo não é uma doença, mas uma maneira distinta de se expressar e interagir com o mundo. Embora não tenha cura, o transtorno não piora com o tempo. Quanto mais cedo for feito o diagnóstico e iniciado o tratamento, melhores serão a qualidade de vida e a autonomia das pessoas com TEA.




