Goianésia-O consumo de suplementos alimentares entre crianças e adolescentes tem aumentado nos últimos anos, impulsionado principalmente pela prática de atividades físicas e pela influência de conteúdos nas redes sociais. Produtos como whey protein e creatina, antes mais comuns no universo adulto e esportivo, passaram a fazer parte da rotina de alguns jovens. Especialistas, no entanto, alertam que o uso sem orientação pode trazer riscos à saúde durante a fase de desenvolvimento.
A nutricionista infantil Thais Fernanda explica que a suplementação só é indicada quando há uma necessidade nutricional que não pode ser atendida pela alimentação convencional.
“Quando a gente fala em suplemento, é porque existe uma necessidade específica. Na maioria dos casos, uma alimentação equilibrada, com carnes, leite e ovos, já supre a demanda de proteína. É importante entender por que essa criança está usando o suplemento e como ela enxerga o próprio corpo, porque isso também envolve comportamento e saúde metabólica. O ideal é evitar o uso sem indicação e, principalmente, o uso contínuo e em grandes quantidades”, afirma.
Segundo a especialista, o organismo infantil ainda está em desenvolvimento e não responde da mesma forma que o de um adulto ao consumo excessivo de nutrientes concentrados. O uso inadequado de whey protein, por exemplo, pode levar à sobrecarga dos rins e do fígado, além de causar desconfortos gastrointestinais. Já a creatina, quando utilizada sem acompanhamento, pode estar associada à retenção de líquidos, câimbras e alterações em exames laboratoriais.
“Crianças saudáveis, sem indicação clínica, não precisam de suplementação. Muitas vezes, um único scoop de whey já ultrapassa a quantidade de proteína necessária para vários dias, o que pode sobrecarregar funções do organismo. A alimentação, na maioria dos casos, já é suficiente para atingir as necessidades diárias”, explica Thais.
Profissionais reforçam que a base para o crescimento saudável de crianças e adolescentes deve ser uma alimentação equilibrada e variada. A suplementação só deve ser considerada em situações específicas e sempre com orientação médica ou de um nutricionista, levando em conta idade, rotina, composição corporal e necessidades individuais.
O acompanhamento profissional é apontado como essencial para evitar excessos e garantir que o desenvolvimento ocorra de forma saudável e segura.




