Goianésia-O Brasil voltou a registrar crescimento no número de transplantes de órgãos e tecidos realizados no país. Em 2024, foram mais de 30 mil procedimentos, número que seguiu em alta em 2025, ultrapassando 31 mil transplantes realizados. A maior parte das cirurgias, cerca de 86%, foi financiada pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que continua sendo referência mundial no setor.
Entre os transplantes mais realizados estão os de córnea, rim, medula óssea, fígado e coração. O avanço também foi impulsionado pela ampliação da logística de transporte de órgãos, especialmente com o apoio da Força Aérea Brasileira (FAB). Entre 2022 e 2025, o transporte aéreo de órgãos teve aumento de 22% no país.
Apesar do crescimento, mais de 78 mil brasileiros ainda aguardam na fila por um transplante. Especialistas apontam que a conscientização sobre a doação de órgãos continua sendo um dos principais desafios para ampliar o número de procedimentos.
Quem passou pela espera por um transplante conhece de perto as dificuldades enfrentadas durante o tratamento. A paciente transplantada Vanessa Fernandes relembra a rotina antes de receber um rim.
“Era uma vida muito limitada. Eu precisava fazer hemodiálise três vezes por semana, com sessões de cerca de quatro horas. Depois do tratamento, eu não tinha disposição para trabalhar ou realizar atividades simples do dia a dia. Até tomar banho exigia cuidados especiais por causa do cateter”, conta.
Segundo Vanessa, a mudança após o transplante foi significativa.
“Hoje, minha vida é normal. Passei a valorizar coisas simples que antes não conseguia fazer. O transplante me deu uma nova oportunidade”, afirma.
A gerente da Central Estadual de Transplantes de Goiás, Katiucia Freitas, destaca que a decisão das famílias ainda é fundamental para aumentar o número de doações.
“Quando a família já conhece o desejo da pessoa de ser doadora, a decisão costuma ser mais tranquila. Quando isso nunca foi conversado, muitas famílias acabam recusando por insegurança ou dúvida naquele momento de dor”, explica.
Ela também destaca a importância da estrutura logística envolvida no processo de transplante.
“Existe um trabalho conjunto com equipes terrestres, aéreas, Corpo de Bombeiros e FAB para garantir agilidade no transporte dos órgãos e das equipes médicas. Isso permite salvar pacientes tanto em Goiás quanto em outros estados”, ressalta.
Em Goiás, os números também apresentaram crescimento nos últimos anos. O estado registrou aumento de 65% nos transplantes realizados nos últimos cinco anos e atingiu, em 2025, o recorde histórico de 117 doadores efetivos.
Os transplantes de rim e medula óssea foram os que mais cresceram no estado, com procedimentos realizados em unidades como o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), o Hospital Estadual de Urgências Governador Otávio Lage de Siqueira (HUGOL) e o Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano.
Mesmo com os avanços, a recusa familiar para doação de órgãos ainda é considerada um dos principais obstáculos em Goiás e chega a 66%, segundo a Central Estadual de Transplantes.




