Estudante relata desafios e experiências na cobertura de competições esportivas

Goianésia - A presença das mulheres no jornalismo esportivo tem se fortalecido nos últimos anos e contribuído para transformar um segmento historicamente ocupado por homens. Embora o cenário apresente avanços importantes, profissionais e estudantes da área ainda enfrentam desafios relacionados à desigualdade de oportunidades, à representatividade e ao preconceito em redações, transmissões e coberturas esportivas.

Levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) aponta que as mulheres continuam sendo minoria na cobertura esportiva e ocupam menos espaços de destaque em programas especializados e transmissões. Apesar disso, novas gerações têm chegado ao mercado cada vez mais preparadas e determinadas a ampliar sua participação no setor.

A estudante de Jornalismo Sophia Fernandes compartilhou experiências profissionais e refletiu sobre os desafios e avanços da presença feminina no esporte.

Experiência prática fortaleceu atuação na cobertura esportiva

Sophia relata que o interesse pela área foi fortalecido por oportunidades vivenciadas ainda durante a formação acadêmica.

Segundo ela, a experiência em um canal de transmissões esportivas da cidade permitiu contato direto com diferentes funções jornalísticas.

“Eu tive a oportunidade de trabalhar durante mais ou menos um ano em um canal de transmissão da nossa cidade, o Luiz Marcos TV. Nós cobrimos o Campeonato Amador da cidade, Série A e Série B, além do Campeonato Master. Em praticamente todos os jogos, eu fui repórter de campo e, em uma das transmissões, também atuei como apresentadora e comentarista”, afirmou.

A estudante também participou de coberturas promovidas pela Federação Goiana de Futebol, incluindo a Taça Mané Garrincha Sub-17 e a Série C do Campeonato Goiano, competição na qual acompanhou a campanha do Goianésia Esporte Clube rumo ao título estadual.

Referências femininas abriram caminhos para novas profissionais

Para Sophia, o crescimento da participação feminina no jornalismo esportivo é resultado da atuação de profissionais que ajudaram a romper barreiras e conquistar espaços ao longo das últimas décadas.

Entre os nomes citados por ela estão as jornalistas Renata Fan, Fernanda Gentil, Bárbara Coelho, Carol Barcellos, Mariana Becker e Janaína Xavier.

No cenário goiano, ela também destacou o trabalho de Carla Izumi, apresentadora do Globo Esporte Goiás.

“A presença feminina cresceu graças à coragem e à determinação de mulheres que decidiram ocupar esses espaços e mostrar competência em um ambiente que, por muito tempo, foi predominantemente masculino”, destacou.

Mercado ainda impõe desafios e necessidade constante de afirmação

Apesar dos avanços, Sophia afirma que as mulheres ainda precisam superar obstáculos adicionais para conquistar reconhecimento profissional.

Segundo ela, a formação universitária ajuda a preparar futuras jornalistas para uma realidade em que, muitas vezes, é necessário provar constantemente a própria capacidade.

“A faculdade gera um choque de realidade. Nós somos avisadas de que o caminho pode ser mais difícil para as mulheres, mas também recebemos incentivo para mostrar nossa competência e ocupar os espaços que desejamos”, explicou.

A estudante observa que críticas relacionadas à aparência física ainda são frequentes e acabam desviando a atenção do trabalho desenvolvido pelas profissionais.

“A mulher está, a todo momento, sendo testada e criticada pela aparência, pelo físico e por fatores externos, quando o que deveria ser avaliado é a capacidade profissional”, afirmou.

Formação acadêmica contribui para ampliar oportunidades

Na avaliação de Sophia, o ambiente universitário exerce papel fundamental na construção da confiança profissional e no desenvolvimento das habilidades necessárias para atuar no mercado.

Ela destaca que a graduação oferece espaço para aprendizado, experimentação e aperfeiçoamento técnico, contribuindo para reduzir barreiras enfrentadas pelas futuras profissionais.

“A faculdade permite que a pessoa aprenda, erre e evolua. É nesse ambiente que muitas mulheres encontram a oportunidade de demonstrar que possuem a mesma capacidade de atuar no esporte que qualquer outro profissional”, ressaltou.