Investigação aponta que consumo pode ser confundido com simples ressaca

Goianésia- O avanço de casos de intoxicação relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas no Brasil acende um alerta nacional. O Ministério da Saúde já confirmou sete mortes e 59 ocorrências notificadas em diferentes estados, sendo a maioria em São Paulo, além de registro no Distrito Federal e em Pernambuco. A suspeita recai sobre bebidas destiladas adulteradas, com possível presença de metanol, substância altamente tóxica.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio, titular da Delegacia de Polícia de Barro Alto, destacou a gravidade da situação e a necessidade de cautela por parte da população. “Ainda há dúvidas se foi erro de fabricação ou adulteração intencional. Mas tudo indica que se trata de falsificação de bebidas destiladas, o que já provocou mortes e dezenas de internações no país”, afirmou.

Segundo o delegado, a principal recomendação segue a orientação do Ministério da Saúde: evitar o consumo de bebidas destiladas até que a investigação aponte com clareza a origem do problema. “O mercado de bebidas falsificadas no Brasil é gigantesco, movimenta 58 bilhões por ano, e isso torna difícil identificar se o produto adquirido é ou não verdadeiro. Por isso, neste momento, a orientação é não consumir destilados, como vodka, uísque, gin e cachaça”, explicou. Ele reforçou que bebidas fermentadas, como cerveja e vinho, não estão entre as suspeitas.

Outro ponto de preocupação são os sintomas, que podem ser confundidos com os de uma ressaca comum. “Dor de cabeça mais forte, náuseas e vômitos estão entre os sinais iniciais. Isso pode atrasar o diagnóstico, já que muitas pessoas acreditam se tratar apenas de uma reação ao consumo excessivo de álcool”, disse o delegado.

Marco Antônio também fez um alerta aos comerciantes, para que verifiquem a procedência dos produtos que vendem. “É essencial comprar apenas de fornecedores legalizados e exigir nota fiscal, para evitar riscos ao consumidor final”, destacou.

No âmbito da segurança pública, o delegado informou que o governo estadual determinou reforço na fiscalização e a realização de operações conjuntas para identificar possíveis locais de produção clandestina. “Vamos intensificar as investigações, com apoio da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Técnico-Científica, Polícia Federal, PRF e vigilâncias sanitárias. O objetivo é localizar e fechar fabriquetas, impedindo que essa tragédia se repita”, concluiu.