Goianésia - Dados do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), da Secretaria Municipal de Trânsito (SMT) e do Corpo de Bombeiros apontam que, em média, Goianésia registra um acidente de trânsito a cada 15 horas. O número crescente tem chamado a atenção das autoridades, especialmente pelo aumento das ocorrências envolvendo carros e motocicletas. Para detalhar o panorama e esclarecer o trabalho do Corpo de Bombeiros no atendimento a esses acidentes, o tenente-coronel Ar Bernardo Dutra, comandante do 18º Batalhão de Bombeiro Militar, concedeu uma entrevista exclusiva à RVC FM.
Aumento expressivo nas ocorrências
Segundo o tenente-coronel, a situação atual é motivo de grande preocupação para a corporação. Ele relata que, somente nos dois últimos meses, outubro e novembro, houve um aumento significativo tanto na quantidade quanto na gravidade dos acidentes atendidos pelo batalhão. “Se pegarmos apenas o ano passado, atendemos 573 acidentes de trânsito em Goianésia. Neste ano de 2025, já registramos 505 ocorrências. E só neste mês de novembro, do dia 1º até as 6h30 da manhã de hoje, atendemos 28 acidentes. Se essa média se mantiver, chegaremos a cerca de 90 acidentes apenas neste mês, o que realmente é preocupante”, explica.
Equipe de resgate em ritmo intenso
Dutra ressalta que o trabalho da equipe de resgate é intenso e constante. “A Unidade de Resgate praticamente não para dentro das nossas instalações. É comum ver a equipe interrompendo a refeição para sair imediatamente a atender uma ocorrência. Esse é o nosso ofício, o trabalho que escolhemos, mas isso reflete o alto número de acidentes e reforça a importância de discutir o tema, alertando a população para que pratique a direção defensiva”, afirma.
Números reais de acidentes são maiores que oficiais
Ele detalha que os números apresentados se referem apenas aos acidentes em que o Corpo de Bombeiros foi acionado, não contemplando ocorrências atendidas por outras instituições ou casos com apenas danos materiais, sem vítimas. “Existem acidentes em que o Samu é acionado ou pessoas procuram atendimento médico por conta própria no dia seguinte. Então, podemos concluir que o número real de acidentes em Goianésia é ainda maior do que os dados que possuímos”, completa.
Tipos de acidentes mais comuns
Ao detalhar os tipos de ocorrências mais frequentes, o tenente-coronel Dutra aponta que colisões envolvendo carros e motocicletas, bem como quedas de motos, lideram as estatísticas. “Esses acidentes, na maioria, acontecem em cruzamentos, esquinas, rotatórias e semáforos. Em nossa análise, geralmente uma das partes envolvidas desrespeitou a sinalização, como uma parada obrigatória ou preferência em rotatória”, observa.
Imprudência no trânsito
Ele chama atenção para a imprudência no tráfego, mesmo em uma cidade com ruas largas e traçado urbano planejado. “Goianésia tem vias bem projetadas e, ainda assim, registramos esse número alto de acidentes. Um fator crítico é que condutores ignoram a sinalização, entram nas rotatórias sem reduzir a velocidade e acabam provocando colisões. Isso demonstra imprudência e falta de atenção às regras básicas de trânsito”, detalha.
Conscientização e fiscalização
O comandante do 18º Batalhão reforça que apenas falar sobre o assunto não é suficiente para reduzir os acidentes. “As pessoas só se debruçam sobre o tema quando têm um familiar ou alguém próximo envolvido. É preciso conscientizar sobre a necessidade da direção defensiva e do respeito à sinalização, que salva vidas. Uma fiscalização mais firme é necessária para que a população compreenda a seriedade da questão”, afirma.
Educação e prevenção
O major ressalta o quanto é fundamental o trabalho educativo do Corpo de Bombeiros, que inclui palestras em escolas e eventos, combinando informações sobre prevenção de acidentes e outros temas de segurança. “Sempre que temos oportunidade, falamos sobre acidentes de trânsito, mostramos nossos números e orientamos sobre a direção defensiva. Com o envolvimento da sociedade, acreditamos que é possível reduzir o número de acidentes”, comenta.
Direção defensiva salva vidas
O tenente-coronel Dutra conclui enfatizando que a prevenção e o respeito às normas de trânsito são fundamentais para reduzir vítimas. “No Brasil, morrem anualmente cerca de 45 mil pessoas em acidentes de trânsito, número equivalente ao de homicídios. Em Goianésia, temos um traçado urbano favorável e sinalização adequada na maior parte das vias, mas é crucial que os condutores pratiquem a direção defensiva. É uma questão de vida ou morte”, alerta.
Uniforme laranja e segurança
Por último, o comandante Dutra detalhou a respeito da padronização do uniforme dos bombeiros na cor laranja, adotada nacional e internacionalmente por se destacar no ambiente. “Essa cor facilita a visualização do bombeiro no atendimento, seja em áreas urbanas ou rurais, especialmente em operações como a Cerrado Vivo, e aumenta a segurança da equipe”, explica. Ele ressalta que a transição do uniforme antigo para o laranja é gradual, mas que a cor do salvamento veio para permanecer, garantindo que a população identifique rapidamente a presença da corporação.




