Goianésia- Quase nove anos após a morte do servidor da Saneago, Vercileu Antônio de Jesus, o Tribunal do Júri de Goianésia voltou a reunir a comunidade local em um julgamento marcado por forte comoção. O caso foi levado a plenário nesta semana e resultou na condenação do réu a 16 anos e 9 meses de prisão. A sessão teve início às 9h e se estendeu por mais de 12 horas. Familiares, amigos e moradores acompanharam o julgamento, exibindo faixas e cartazes em pedido por justiça.
Responsável pela investigação à época dos fatos, o delegado Marco Antônio, titular da Delegacia de Barro Alto, relembrou que o crime teve grande repercussão na cidade, mesmo em um ano considerado atípico em relação à violência. “Em 2017, registramos apenas oito homicídios, o menor número em cerca de duas décadas. Ainda assim, este caso causou forte impacto porque envolvia duas pessoas muito conhecidas na cidade, dois cidadãos de bem, cuja relação acabou rompida por causa de uma dívida”, explicou.
Segundo o delegado, a investigação teve início logo após o autor se apresentar à polícia e relatar sua versão dos acontecimentos. “Ele alegou que a vítima teria ido à casa dele armada para cobrar a dívida, que houve uma luta corporal e que conseguiu desarmá-la antes de efetuar os disparos. Essa foi a narrativa apresentada inicialmente”, relatou Marco Antônio.
No entanto, os laudos e exames periciais realizados ao longo da investigação apontaram uma dinâmica diferente. “Os elementos técnicos demonstraram que não havia compatibilidade com legítima defesa. As análises balísticas, a reprodução simulada e as marcas encontradas no local indicavam que a vítima tentou fugir após os primeiros disparos, chegou a cair e se levantar, o que não condizia com a versão de luta corporal. Além disso, foram seis tiros, sendo dois na cabeça. Os indícios apontavam para uma execução premeditada”, afirmou.
Marco Antônio destacou que o trabalho técnico-científico foi fundamental para o esclarecimento do caso, especialmente pela ausência de testemunhas oculares e de registros em vídeo. “Era um crime extremamente técnico. Apenas duas pessoas estavam na cena, a vítima e o autor. Os laudos foram decisivos. A atuação da Polícia Técnico-Científica foi precisa e permitiu à Polícia Civil sustentar o indiciamento por homicídio qualificado, com base na premeditação”, reforçou.
Durante o julgamento, os jurados acolheram a tese apresentada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, afastando a alegação de legítima defesa. Ao final da sessão, o réu foi condenado a 16 anos e 9 meses de prisão. “Foi um júri intenso, com mais de 12 horas de debates, e prevaleceu o entendimento de que se tratou de um crime planejado, motivado pelas cobranças que o autor vinha sofrendo”, concluiu o delegado.




