Goianésia- Um episódio de violência registrado na madrugada do dia 5 de janeiro acendeu um alerta em Goianésia. Um idoso, que se deslocava a pé até o ponto de embarque das vans da Secretaria Municipal de Saúde, utilizadas por pacientes que precisam viajar a Goiânia para atendimento médico, foi agredido por um suposto usuário de droga e precisou de atendimento hospitalar. A ocorrência foi registrada por volta das 2h44, no cruzamento da Avenida Brasil com a Rua 49.
A situação trouxe à tona a exposição diária de pacientes que não possuem transporte próprio. Para muitos, a van da prefeitura é a única alternativa para dar continuidade ao tratamento, mas o trajeto até o local de embarque começa ainda de madrugada, em vias pouco iluminadas e com pouca circulação de pessoas.
Morador do bairro Nova Aurora, Júnior Amarildo relata que já enfrentou situações de risco enquanto aguardava o transporte no ponto do Feirão do Nova Aurora. Segundo ele, abordagens por usuários de drogas são frequentes, o que gera medo e insegurança entre os pacientes, muitos deles idosos ou com limitações físicas.
“Já teve dia de me pedirem telefone, de me cercarem no ponto. A gente vai para consultar, já está doente, debilitado. Eu, por exemplo, estou com a perna quebrada, não tem como correr ou se defender. Lá fica todo mundo junto, idoso, gente doente, e o risco é grande. Precisava ter um local fixo, mais seguro, para todo mundo aguardar, ou outro tipo de organização”, relata.
A Constituição garante o direito à saúde, o que inclui condições seguras de acesso ao tratamento. Quando o deslocamento até uma consulta envolve risco à integridade física, a situação deixa de ser apenas um problema de logística e passa a exigir medidas urgentes do poder público.
Moradora de Goiânia, Eunice Matos soube do caso pelas redes sociais e entrou em contato com a equipe de jornalismo para cobrar providências. Ela tem familiares em Goianésia que utilizam o transporte da saúde para tratamento na capital.
“É muito perigoso. Tem gente que precisa sair de casa às três da manhã para chegar ao ponto e esperar a van. Muitos vão sozinhos, alguns são cadeirantes, outros não conseguem se locomover direito. Eu acredito que a prefeitura tem condições de buscar o paciente na porta de casa e deixar na porta também. Isso evitaria muita coisa”, afirma.
Entre os usuários do serviço, o pedido é por mudanças no modelo atual. A solicitação para que o transporte seja feito de forma mais próxima da residência dos pacientes é vista como uma medida de proteção, sobretudo para idosos, mulheres e pessoas com dificuldade de locomoção.
A aposentada Maria Luzia, que utiliza o transporte há cerca de um ano para tratamento em Goiânia, relata que o medo faz parte da rotina. “A gente fica esperando de madrugada, duas, três horas da manhã. É perigoso, principalmente para mulher. Já passei muito risco indo para o ponto. Isso não pode continuar desse jeito”, diz.
Moradora do bairro Santa Cecília, Maria Lúcia também defende mudanças imediatas. Para ela, a busca dos pacientes em casa reduziria a exposição à violência. “Já aconteceu coisa grave. Para evitar que algo pior aconteça, o certo é buscar o paciente na residência. Muitas pessoas não têm quem acompanhe, ficam sozinhas no ponto, no escuro, esperando”, comenta.
A equipe de jornalismo da RVC FM entrou em contato com o Departamento de Comunicação da Prefeitura de Goianésia e com a Secretaria Municipal de Saúde, para apresentar as reclamações e solicitar um posicionamento. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.




