Goianésia- Cantos, bandeiras e violas percorreram as ruas de Goianésia nesta semana, levando fé e tradição às casas do município. Durante o período da Folia de Reis, grupos de foliões foram recebidos por moradores de diferentes bairros, mantendo um costume que atravessa gerações e segue presente no cotidiano da comunidade.
Para o folião Zé Martins, participar da folia representa a preservação da história e da identidade cultural do município. Ele lembra que a tradição o acompanha desde jovem, ainda na zona rural, e que foi ele quem trouxe o grupo para Goianésia.
“Eu ando com essa folia desde o tempo do solteiro, lá na roça, nós andávamos muito lá… depois eu mudei pra Goianésia. Essa folia tinha ficado na Cafelândia… falaram: ‘Seu Zé Martins, você vai pegar a coroa da folia?’ Eu falei: ‘Posso pegar, só que tô mudando pra Goianésia. Se vocês forem pra lá, eu levo’. Aí eu peguei a coroa e trouxe pra cá. Ando aqui em Goianésia, e falam que é a folia do Zé Martins”, relata.
Celebrada tradicionalmente entre o Natal e o Dia de Reis, em 6 de janeiro, a Folia de Reis relembra, segundo a tradição cristã, a visita dos Reis Magos ao menino Jesus. Em Goianésia, os grupos mantiveram esse ritual ao percorrer residências com cânticos, instrumentos e mensagens de devoção.
A participação de crianças, adultos e idosos nas visitas mostra que a tradição segue sendo transmitida entre gerações. Sobre o papel da folia na vida das famílias, Zé Martins comenta: “Na casa do povo… essa folia nossa anda assim: ajuda e cumpre promessa. Muitas vezes, a pessoa tem uma promessa para cumprir, nós tiramos a promessa deles. Todo lugar que nós vamos almoçar ou jantar tem o pouso, tem o almoço, e tem a devoção também de rezar, rezar o terço para o santo rei.”
Mais do que uma manifestação religiosa, a Folia de Reis cumpriu função social ao promover encontros, aproximar moradores e manter viva a memória popular, consolidando-se como patrimônio cultural imaterial de Goianésia.




