Goianésia - Mesmo após mudanças na legislação e o endurecimento das penas para crimes envolvendo feminicídio, os números mais recentes indicam um cenário preocupante, com crescimento nos casos consumados e impactos profundos para famílias e comunidades. A tendência contraria a queda observada em outros indicadores criminais e passa a exigir uma reavaliação das estratégias adotadas pelo poder público.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto, afirmou que o aumento ainda desafia explicações claras. “Infelizmente, a gente ainda não consegue entender esse fenômeno. De 2024 para 2025, mesmo com o incremento da legislação e o endurecimento das penas para o feminicídio, 2025 foi desastroso nessa área”, declarou.
O impacto foi sentido de forma mais intensa na região de Goianésia. Segundo o delegado, o período ficou marcado por um recorde negativo. “A gente teve o ano mais violento da história da região. Foi algo que chamou muito a nossa atenção”, relatou. A projeção de crescimento no estado acabou se confirmando com a divulgação parcial dos dados oficiais.
De acordo com Marco Antônio, o levantamento aponta um salto significativo. “No estado de Goiás, o número passou de 56 para 60 casos. Isso representa um aumento de aproximadamente 5,35% ou 5,5%. É um crescimento muito expressivo. Estamos aguardando o fechamento dessas informações, inclusive com avaliação em nível nacional, para entender melhor o cenário.”
O delegado observa que o aumento ocorre em um contexto atípico. “Os índices gerais vêm caindo. Homicídios, roubos, furtos, tudo isso apresenta redução. Mas, infelizmente, esse tipo de crime seguiu outro caminho”, pontuou.
Outro dado que preocupa é a relação entre tentativas e mortes consumadas. “Infelizmente, o número de casos fatais aumentou. Alguns avanços ocorreram na prevenção, mas a letalidade cresceu e acabou impactando nesse acréscimo de 5% a 6%”, explicou Marco Antônio.
Para ele, as consequências vão além das estatísticas. “É um crime que gera um impacto muito grande. Afeta emocionalmente as famílias, a comunidade e também os profissionais que lidam diretamente com essas ocorrências”, afirmou.
Segundo o delegado, o sofrimento causado por esse tipo de violência exige uma resposta mais direcionada do poder público. Diante do cenário, a avaliação interna é de que o próximo ano precisará concentrar esforços específicos. “Vai ser necessário dar uma atenção muito especial a esse problema. Em 2026, o foco terá que ser o enfrentamento à violência doméstica para que a gente consiga reduzir esses números”, concluiu.




