Goianésia- Os crimes contra pessoas idosas registraram aumento em Goiás no último ano, segundo a Delegacia Especializada no Atendimento ao Idoso (DEAI). Entre 2024 e 2025, os casos de estelionato subiram 32%, cerca de 60 novas ocorrências, enquanto o abandono teve alta de 12%, com aproximadamente 40 registros a mais.
O delegado Alexandre Bruno de Barros, titular da DEAI em Goiânia, avalia que os golpes estão cada vez mais sofisticados, impulsionados pelo uso de fraudes eletrônicas e de inteligência artificial. “O alvo principal são os idosos, em crimes bem planejados que exploram a confiança e a vulnerabilidade das vítimas”, afirma. Entre as práticas mais recorrentes estão os golpes aplicados por falsos funcionários de banco, que induzem a vítima a fornecer senhas, e as falsas ameaças de sequestro de familiares, que provocam pânico e levam a transferências financeiras.
Por outro lado, alguns indicadores apresentaram retração. Os crimes de exploração financeira cometidos por familiares caíram 25%, e os casos de abandono extremo, com lesões graves ou morte, reduziram mais de 50%. O abandono de idosos em hospitais também teve queda de 18%.
Como forma de prevenção, a Polícia Civil de Goiás lançou, no fim de 2025, uma cartilha com os dez principais tipos de estelionato, voltada a idosos, familiares e cuidadores. Segundo o delegado, o objetivo vai além da repressão. “Não é só identificar os autores, mas evitar que o crime aconteça”, ressalta.
Dados do Censo 2022 apontam que 13,7% da população de Goiás tem 60 anos ou mais, o que corresponde a cerca de 964 mil pessoas, das quais 93,2% vivem em áreas urbanas. Municípios como Aurilândia e Amorinópolis concentram as maiores proporções de idosos, enquanto a capital reúne 15,1% desse público.




