Obra pretende reconstruir a caçada policial que mobilizou forças de segurança por quase 20 dias

Goianésia-Uma produtora de São Paulo deu início ao desenvolvimento de uma série documental que revisita um dos episódios criminais mais marcantes da história recente do Centro-Oeste. Inspirada nos últimos dias de fuga de Lázaro Barbosa, conhecido nacionalmente como o “serial killer de Goiás”, a produção pretende reconstruir a caçada policial que se estendeu por quase três semanas e mobilizou forças de segurança de Goiás e do Distrito Federal.

Batizada de “Invisível – Os passos de Lázaro Barbosa”, a série está em fase inicial de desenvolvimento e tem como foco o período em que o criminoso permaneceu foragido. A proposta é reconstituir os deslocamentos, as ações e o clima de medo que tomou conta de comunidades inteiras durante as buscas. O título faz referência ao apelido que surgiu ao longo da operação: mesmo após ser localizado diversas vezes e dado como cercado, Lázaro conseguia escapar, alimentando rumores e uma aura de mistério em torno de sua figura.

Segundo informações preliminares, o projeto encontra-se atualmente na etapa de pesquisa, conduzida de forma reservada pela equipe de direção e arte. Recentemente, a Justiça autorizou que a produtora tivesse acesso aos autos do processo, incluindo documentos que estavam sob sigilo. A intenção é organizar e analisar esse material para, em um segundo momento, dar início às gravações.

A liberação foi concedida pela juíza Katherine Teixeira Ruellas, da Vara Criminal de Cocalzinho de Goiás. Na decisão, a magistrada ressaltou que a produtora se comprometeu a utilizar os documentos exclusivamente para fins de estudo e pesquisa, respeitando a legislação vigente e a integridade do processo judicial.

Caso volta ao centro do debate jurídico

O anúncio da série ocorre em um momento sensível. O caso voltou a ser discutido judicialmente após a reabertura do inquérito que apurou as circunstâncias da morte de Lázaro Barbosa, ocorrida em junho de 2021. À época, a investigação concluiu que os policiais agiram em legítima defesa, mas, anos depois, surgiram questionamentos sobre possíveis falhas na apuração.

Durante a ação que resultou na morte do criminoso, foram efetuados 125 disparos, dos quais 38 o atingiram. A perícia identificou 14 projéteis no corpo. O novo inquérito busca analisar a conduta dos agentes envolvidos. Para o Ministério Público de Goiás (MPGO), o procedimento que embasou a conclusão inicial apresenta “falhas graves”.

Embora a Corregedoria da Polícia Militar de Goiás tenha mantido o entendimento de legítima defesa, o MPGO aponta vícios no material encaminhado pela Polícia Civil de Goiás, como a ausência de oitivas de testemunhas e dos próprios policiais, além da falta de laudos periciais considerados essenciais, entre eles o exame cadavérico e o registro detalhado do local da morte.

A caçada que parou Goiás

Lázaro Barbosa foi morto na madrugada de 28 de junho de 2021, em Águas Lindas de Goiás, após 20 dias de buscas que envolveram cerca de 270 agentes. Segundo a Secretaria de Segurança Pública de Goiás, ele teria atirado contra os policiais e foi baleado no revide. Socorrido, não resistiu aos ferimentos. A operação final ocorreu após denúncia de que ele estaria escondido na casa da ex-sogra.

A perseguição teve início após o assassinato do empresário Cláudio Vidal e de seus dois filhos, em Ceilândia, além do sequestro e morte da esposa. Durante a fuga, Lázaro invadiu propriedades rurais, fez reféns, baleou vítimas e provocou o fechamento de comércios, especialmente na região de Cocalzinho de Goiás.

Com a proposta de revisitar esse período sob uma perspectiva documental, a série promete lançar luz sobre detalhes da investigação, da operação policial e do impacto social de um caso que segue despertando controvérsias e questionamentos.