Falta de controle prévio e ferramentas de conversa ampliam vulnerabilidades

Goianésia-A popularização do Roblox entre crianças e adolescentes tem acendido um sinal de alerta para autoridades e especialistas em segurança digital. A plataforma, que reúne milhões de usuários em todo o mundo, passou a integrar o cotidiano de famílias brasileiras, ao mesmo tempo em que vem sendo apontada como um ambiente vulnerável à atuação de criminosos. O tema foi abordado nesta sexta-feira (6), na RVC FM, com o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto.

O delegado explicou como funciona o ambiente virtual do Roblox e por que ele exige atenção redobrada dos responsáveis. “O Roblox é uma plataforma de jogos, é a maior plataforma de jogos do mundo hoje. Você acessa essa plataforma e lá tem vários jogos. Várias pessoas podem jogar e várias pessoas fazem jogos e colocam lá”, afirmou.

Conteúdos inadequados disponíveis para menores

Segundo ele, a ausência de uma triagem rigorosa sobre o conteúdo disponibilizado cria situações preocupantes. “Tem jogos, infelizmente, que incentivam a sexualidade; tem jogos, infelizmente, que incentivam a violência e a pedofilia. Como não há um controle prévio, são pessoas que você não conhece que fazem esses jogos, não tem um controle prévio de quem os produz”, disse.

Outro fator apontado foi a possibilidade de interação direta entre usuários. “O mais preocupante é que tem chat de conversa. Pessoas de qualquer cidade conversam com seu filho. Têm ocorrido muitos casos de ameaças, bullying, pedofilia e assédio”, relatou.

Abordagens começam com falsas identidades

Marco Antônio Maia detalhou a forma como criminosos se aproximam das vítimas. “A pessoa inicia uma conversa falando que é uma coleguinha, que é uma criança, chama para um chat privado e, a partir daí, começa a induzir essa pessoa a fazer as coisas”, explicou.

Ele alertou que, mesmo com mecanismos de controle, o sistema pode ser burlado. “Já houve comprovação de que a pessoa consegue cadastrar uma idade que não é a dela, o que permite que adultos conversem com crianças”, afirmou.

O delegado também comentou sobre a presença de conteúdos que incentivam comportamentos ilícitos. “Tem jogos bastante violentos, com sexualidade bem avançada, que incentivam a prematuridade da sexualidade em crianças. Também têm sido utilizados para fomentar o ódio e tentar convencer pessoas a aderirem a uma ideologia voltada para o crime”, declarou.

Acompanhamento dos pais reduz exposição

Apesar dos riscos, o delegado destacou que o uso da plataforma pode ocorrer de forma mais segura com a participação dos responsáveis. “Não pode ser um jogo sem supervisão. O pai tem que entrar no jogo, ver o que o filho está jogando, o que está fazendo”, afirmou.

Ao relatar sua experiência pessoal, Marco Antônio Maia disse que o diálogo é fundamental. “Minhas filhas jogam de acordo com a faixa etária, sempre com supervisão. Já cortamos todos os chats, colocamos limitadores de idade e conversamos diariamente com elas”, contou. Ele também orientou atenção a mudanças de comportamento. “Se a criança começa a jogar escondido, isso já é um sinal de alerta”, observou.

Por fim, o delegado reforçou que a participação ativa dos pais é essencial. “O responsável precisa saber o que o filho está vendo e impedir qualquer comunicação com estranhos, porque nunca se sabe quem está do outro lado”, concluiu.