Goianésia- A antiga Faculdade Evangélica de Goianésia, que recentemente se tornou oficialmente o Centro Universitário Evangélico de Goianésia (UNIEGO), passa a atuar com maior autonomia acadêmica e científica. A mudança institucional permite à instituição oferecer cursos superiores com pré-autorização do Ministério da Educação, além de intensificar projetos de pesquisa e extensão voltados à agricultura sustentável e ao desenvolvimento tecnológico regional.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o Pró-Reitor de Pós-Graduação, Pesquisa, Extensão e Ação Comunitária professor Jadson Moura, coordenador do curso de Agronomia, detalhou o trabalho de integração entre ensino, pesquisa e produtores locais. Segundo ele, a redução da dependência de agrotóxicos é um dos focos das iniciativas desenvolvidas pela UNIEGO.
“O problema é quando o agricultor é dependente disso como única alternativa. E, quando ele não tem a assessoria técnica correta, incorre em muitos erros, como a aplicação de dosagens muito altas. Isso acaba contaminando o ambiente, os alimentos e até o próprio produtor. Essa dependência desses produtos é que se torna um problema do ponto de vista da sustentabilidade, seja ambiental, econômico ou até social.”
Uso de bioinsumos para substituir produtos químicos
Para minimizar os impactos ambientais e sociais, o curso de Agronomia investe no uso de bioinsumos, produtos biológicos que substituem defensivos químicos.
“Hoje, seguindo essa linha de redução, temos uma tecnologia que visa ampliar o uso de produtos biológicos sustentáveis, que fazem a mesma coisa que os produtos químicos. Esses produtos recebem a nomenclatura de bioinsumos. Por exemplo, se antes eu utilizava um inseticida para controlar uma praga, agora posso aplicar uma doença específica dessa praga. Ela adoece e morre sem a utilização de um produto químico. Não há risco para o ser humano e não ficam resíduos no solo ou nos alimentos.”
A produção de bioinsumos é considerada mais econômica, já que esses organismos vivos se multiplicam naturalmente, enquanto os produtos químicos exigem processos industriais mais complexos.
Além do desenvolvimento científico, a UNIEGO atua na extensão, levando essas tecnologias para agricultores familiares e pequenos produtores.
“Frequentemente, a instituição oferece cursos de treinamento para o uso de controle biológico voltados a agricultores familiares e assentamentos. O pequeno produtor precisa de apoio para aplicar essas tecnologias. Utilizamos a empresa júnior da universidade, com alunos que dão suporte técnico diretamente nas propriedades.”
Experiências práticas e resultados
O coordenador destacou experiências concretas da instituição com diferentes culturas e pragas na região. “Atualmente, realizamos testes com vinhaça enriquecida com microrganismos para aumentar a produtividade e reduzir custos. Também desenvolvemos bioinsumos para o controle de pragas na agropecuária, como a mosca-do-chifre e o carrapato. Todas essas pesquisas já foram apresentadas em congressos internacionais, mostrando que é possível unir inovação, sustentabilidade e economia.”
Jadson Moura também citou experiências com culturas locais, como o cultivo de cana-de-açúcar na Jalles, substituindo o controle químico por agentes biológicos.
“Alguns experimentos que temos com o pessoal da Jalles, na área do cultivo de cana, envolvem o uso de bioinsumos para reduzir pragas e aumentar a produtividade. Os testes são feitos em culturas convencionais, com a aplicação de microrganismos que melhoram a eficiência do solo e reduzem custos. É um exemplo de como a pesquisa acadêmica se transforma em tecnologia aplicada para o produtor”, pontua o professor.
A adoção de práticas mais sustentáveis é impulsionada também pelo mercado global, que exige produtos com menor impacto ambiental. O professor citou a participação da UNIEGO em eventos internacionais, reforçando a troca de experiências e o reconhecimento científico das pesquisas desenvolvidas em Goianésia.
“Já tivemos trabalhos apresentados em congressos na Escócia, Barcelona, Turim, Lisboa e no Chile. Nosso método é claro: só levamos trabalhos para fora quando temos algo desenvolvido aqui. Os resultados das nossas pesquisas são aplicáveis localmente e também servem como referência internacional.”




