Goianésia - Um túmulo no Cemitério São Miguel, na Cidade de Goiás, chama a atenção por exibir uma suástica na lápide, símbolo associado ao nazismo. A sepultura pertence ao austríaco Johann Jessl, que viveu na antiga capital goiana entre as décadas de 1920 e 1930. O caso despertou o interesse de um pesquisador da Universidade Federal de Goiás (UFG), que analisou o contexto histórico da presença do estrangeiro no interior do estado.
O estudo foi desenvolvido pelo historiador Frederico Tadeu Gondim, em dissertação de mestrado apresentada em 2021. A pesquisa buscou compreender tanto a trajetória de Jessl quanto o significado do símbolo gravado na lápide, considerando o período em que ele viveu no Brasil e morreu, em 1936, durante o governo de Adolf Hitler na Alemanha.
Imigração e trajetória profissional
De acordo com o levantamento acadêmico, Johann Jessl chegou ao Brasil em 1925, aos 22 anos, motivado pelas dificuldades econômicas enfrentadas na Europa após a Primeira Guerra Mundial. Ele desembarcou no porto de Santos e, alguns anos depois, estabeleceu-se na Cidade de Goiás.
Registros históricos indicam que Jessl atuou como eletricista na primeira concessionária de energia elétrica da cidade. Documentos consultados pelo pesquisador apontam que ele possuía formação técnica na área e mantinha relação com materiais e publicações em língua alemã, o que reforça sua qualificação profissional. Ele permaneceu na função até falecer, aos 33 anos, vítima de ataque cardíaco.
Contexto da suástica
A presença da suástica na lápide levou à investigação sobre eventual vínculo ideológico. Segundo a pesquisa, embora Jessl pudesse se identificar como simpatizante do nazismo, não há indícios de atuação política ou ligação formal com o partido alemão. O historiador ressalta que, naquele período, o símbolo ainda não carregava internacionalmente o mesmo peso histórico associado ao genocídio que se consolidaria anos depois, durante a Segunda Guerra Mundial.
O estudo também aponta que não há registros de que Jessl tenha constituído família no Brasil. O comunicado de sua morte foi feito por um colega de trabalho, o que sugere vínculos restritos ao ambiente profissional.
Relevância histórica
A pesquisa destaca que o caso deve ser analisado dentro do contexto histórico da época, marcado por fluxos migratórios europeus e pela circulação de ideologias políticas no período entreguerras. O trabalho acadêmico contribui para ampliar o debate sobre memória, símbolos e presença de imigrantes estrangeiros em Goiás no início do século XX.




