Mais de 12 litros de gasolina foram usados

 

Goianésia - Um incêndio criminoso que quase terminou em tragédia mobilizou as forças de segurança em Barro Alto, no interior de Goiás. Um açougue localizado no distrito de Souzalândia foi alvo de um ataque durante a madrugada, colocando em risco a vida de um casal de idosos e duas crianças que moravam no mesmo imóvel. A Polícia Civil concluiu o inquérito nesta semana e indiciou dois homens pelo caso.

O delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Polícia de Barro Alto, detalhou como tudo aconteceu. “Foi dia 18, por volta de três horas da manhã. Um vizinho saiu para levar a esposa ao médico e viu o fogo começando em um açougue simples, todo de madeira. Os proprietários, um casal de idosos, moram no fundo, com duas crianças. Ele começou a gritar por socorro e a população ajudou a conter as chamas”, relatou.

As investigações apontaram que o incêndio foi provocado de forma intencional. “Depois que analisamos as imagens, vimos uma pessoa encapuzada, com galão, jogando combustível várias vezes. Foram usados mais de 12 litros de gasolina. Pela estrutura do imóvel, poderia ter se espalhado rapidamente. A família ficou encurralada, porque o fogo estava justamente na entrada da casa”, explicou.

A partir da identificação do suspeito, a Polícia Militar efetuou a prisão do executor. Na delegacia, ele revelou que havia sido contratado para cometer o crime. “Ele confessou que recebeu cinco mil reais para tocar fogo no estabelecimento. Disse que a intenção era dar um susto, mas o risco foi muito maior. Havia uma discussão anterior envolvendo uma suposta dívida de 20 mil reais entre o comerciante e um fazendeiro”, afirmou o delegado.

Segundo Marco Antônio Maia, o prejuízo ultrapassa R$ 80 mil, agravando mais a situação da família. “Se já havia dificuldade para resolver uma dívida, imagine agora, com o comércio destruído. Além do dano material, foi um crime grave, que colocou em perigo não só os moradores, mas vizinhos, porque o açougue fica próximo a outras casas”, disse.

Ele chamou atenção para o risco provocado pela fumaça. “Mesmo que o fogo não atingisse diretamente os quartos, a inalação de fumaça poderia ter sido fatal. Às vezes a pessoa está dormindo e nem percebe. Dependendo do vento, o casal poderia morrer sem saber o que estava acontecendo”, alertou.

O executor e o suposto mandante foram presos. O inquérito já foi encaminhado ao Judiciário. “Eles vão responder por incêndio com aumento de pena por envolver casa habitada e perigo à vida, além de dano. Somadas, as penas podem chegar a quase 15 anos. A materialidade e a autoria estão comprovadas por imagens, perícia e confissões”, concluiu o delegado.