Insumos foram adquiridos em nome de terceiros, totalizando R$ 200 mil

Goianésia-A falsa biomédica Sheline Araújo foi indiciada pela Polícia Civil por falsidade ideológica, falsificação de produtos medicinais e exercício ilegal da profissão, um mês após a interdição de sua clínica de estética, em Goiânia. A investigação aponta que Sheline usou o nome de terceiros para adquirir cerca de R$ 200 mil em insumos para o estabelecimento. Uma vendedora que fornecia os produtos também foi indiciada por falsidade ideológica.

A clínica foi interditada em 26 de fevereiro, durante operação conjunta da Polícia Civil com a Vigilância Sanitária, por funcionar de forma irregular e sem alvarás. Na ação, foram apreendidos insumos com validade vencida e medicamentos para emagrecimento, incluindo Mounjaro. Sheline, no entanto, negou manipular os produtos no local.

Diploma falso e alegações contraditórias

O inquérito, concluído em 24 de março, revelou que Sheline não possui formação superior. Em depoimento, ela afirmou não ser formada em enfermagem e que ainda cursa biomedicina, contradizendo postagens em redes sociais onde se apresentava como enfermeira e alegava estar aguardando registro no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen). A corporação, porém, identificou que o diploma apresentado era falso.

Esquema de compras em nome de terceiros

Segundo o relatório policial, Sheline utilizava os dados pessoais de uma biomédica sem autorização para comprar insumos, totalizando cerca de R$ 200 mil apenas de uma fornecedora. A suspeita atuava na clínica há cerca de um ano e quatro meses.

Em depoimento, Sheline disse estar arrependida e afirmou não conhecer a biomédica cujo nome foi usado. A falsa biomédica afirmou que a vendedora Amanda Almeida Galdino a orientou a usar os dados de terceiros, motivo pelo qual Amanda também foi indiciada.

“Ela nega ter feito o cadastro em nome da biomédica na empresa, mas alegou que teria sido orientada pela vendedora Amanda, que se responsabilizaria por qualquer problema junto ao conselho”, afirma trecho do depoimento.

Venda ilegal de produtos é comum, segundo vendedora

Amanda negou as alegações de Sheline e disse que foi a própria falsa biomédica quem solicitou as compras. Ela ainda afirmou que é comum na área de estética vender produtos em nome de terceiros sem autorização prévia.

Segundo a vendedora, o proprietário e o responsável técnico da empresa tinham conhecimento de todas as vendas realizadas no cadastro da biomédica, mas não foram indiciados.

Investigação e consequências

A investigação começou após a biomédica vítima procurar a Polícia Civil, após ser advertida pelo Conselho Regional de Biomedicina devido ao uso indevido de seu nome.

“Ela não tem CNPJ. Pode responder por falsidade ideológica, crimes financeiros, crimes sanitários e exercício ilegal da profissão”, afirmou o delegado Diogo Luiz Barreira à época da operação.