38% das mulheres conciliam o negócio com responsabilidades domésticas

Goianésia- O empreendedorismo feminino vem se consolidando como uma força econômica em Goiás. Segundo o estudo Perfil da Mulher Empreendedora Goiana, produzido pelo Sebrae Goiás, 435 mil empresas no estado são lideradas por mulheres, representando 44% do total de negócios ativos, um crescimento de 135% em apenas seis anos.

Entre vitrines, cozinhas, escritórios improvisados em casa e pequenos ateliês, mulheres goianas têm transformado talento, oportunidade e necessidade em negócios próprios, ocupando um papel central na geração de renda e no desenvolvimento regional.

Um perfil em transformação

O levantamento mostra que Goiás possui cerca de 374 mil mulheres empreendedoras, o equivalente a 12% da população feminina em idade de trabalhar. A maior parte atua como trabalhadora por conta própria, enquanto uma parcela menor ocupa a posição de empregadora.

A idade média das empreendedoras é de 43 anos, concentrando-se entre 25 e 59 anos. Em relação à raça, 53% se autodeclaram negras e 47% brancas. Já no nível de escolaridade, 83% possuem ensino médio ou superior, refletindo maior acesso à educação formal e qualificação para a gestão de negócios.

Apesar dessa qualificação, a pesquisa evidencia desigualdade de renda: o rendimento médio mensal das empreendedoras goianas é de R$ 3.723, valor que cresceu 44% na última década, mas ainda inferior à média entre homens empreendedores. Entre graduados, por exemplo, homens ganham em média R$ 9.428, enquanto mulheres recebem R$ 6.029.

Formalização e microempreendedorismo

Grande parte dos negócios femininos começa como microempreendedor individual (MEI). Quase metade das empresas lideradas por mulheres (49%) está nessa categoria, considerada porta de entrada para formalização. Nos últimos anos, a migração da informalidade para o registro legal também avançou: em 2016, 70% não possuíam CNPJ; em 2025, esse percentual caiu para 55%.

Onde elas estão

O estudo revela que quatro municípios concentram metade das empresas comandadas por mulheres: Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis e Rio Verde. A capital lidera com 141 mil empresas, seguida por Aparecida de Goiânia (33 mil), Anápolis (27 mil) e Rio Verde (15 mil).

A concentração urbana acompanha a dinâmica econômica do estado, com maior infraestrutura, mercados consumidores e presença de universidades favorecendo a criação de negócios. Setores como serviços e comércio, que predominam no empreendedorismo feminino, também se desenvolvem mais em áreas urbanas.

Ainda assim, mesmo fora dos grandes centros, mulheres têm encontrado alternativas para gerar renda e autonomia financeira, muitas vezes iniciando atividades em casa ou pequenos estabelecimentos locais.

Desafios persistentes

O crescimento do empreendedorismo feminino convive com desafios, como a dupla jornada: 38% das empreendedoras conciliam o negócio com responsabilidades domésticas. Entre decisões financeiras, gestão e tarefas do cotidiano, essas mulheres constroem trajetórias de persistência, protagonismo e transformação social.

O avanço do empreendedorismo feminino em Goiás não apenas amplia a participação das mulheres no mercado de trabalho, mas também dinamiza economias regionais, fortalece cadeias produtivas locais e cria oportunidades de desenvolvimento em diversos municípios.

Serviço

Primeiro volume da Coleção Identidade - Perfil da Mulher Empreendedora
Acesse o estudo completo: https://www.sebraego.com.br/observatorio-sebrae/