Diagnóstico precoce pode evitar complicações graves

Goianésia-Uma iniciativa voltada à promoção da saúde reúne profissionais e acadêmicos de medicina em Goianésia para facilitar o acesso da população a exames e orientações sobre os cuidados com os rins. A ação será realizada neste sábado, a partir das 8h, na sede da Casa Rim Viver, nº 124, no Parque das Palmeiras, com oferta gratuita de exames como creatinina, glicemia, aferição de pressão arterial e avaliação do índice de massa corporal, além de consultas e orientações.

A iniciativa busca estimular o diagnóstico precoce e reduzir complicações causadas por doenças que, na maioria dos casos, evoluem de forma silenciosa.

Ação social amplia acesso a exames e orientação

A proposta é oferecer triagem básica, consultas médicas e encaminhamentos, além de orientar a população sobre fatores de risco e hábitos preventivos.

Em entrevista exclusiva à RVC FM, a médica nefrologista doutora Marília Bentivoglio explica que a mobilização faz parte de um movimento maior de conscientização. “É uma campanha mundial do rim. Quando eu voltei para Goianésia, fiz questão de otimizar essa campanha e deixar mais orientado para a população geral essa importância”, afirmou.

Atendimento completo e participação de especialistas

Além da triagem inicial, o evento contará com consultas realizadas por nefrologistas da cidade. A equipe será composta pela doutora Marília Bentivoglio, doutor Robson Tavares e doutor Bruno Machado, responsáveis por avaliar os pacientes e solicitar exames, quando necessário.

“Vamos atender crianças, adolescentes, adultos e idosos. Todos fazem parte da faixa etária que pode ter algum problema renal”, explicou a médica. “Vamos orientar sobre medicamentos que prejudicam o rim, controlar pressão, diabetes e já fazer os encaminhamentos necessários.”

A presença de estudantes de medicina também integra a proposta da ação, promovendo aprendizado prático e ampliando o atendimento ao público.

Casa Rim Viver atua como suporte essencial a pacientes

A ação também evidencia o papel da Casa Rim Viver como estrutura de apoio a pacientes em tratamento. O espaço acolhe pessoas que realizam hemodiálise em Goianésia, muitas delas vindas de outras cidades da região.

“Ali passam todas as pessoas que vão fazer hemodiálise. Elas se alimentam, descansam e se preparam para o tratamento. Às vezes, já chegam debilitadas, então esse suporte faz muita diferença”, relatou a médica.

A unidade funciona como ponto de apoio antes e depois das sessões, oferecendo condições básicas de acolhimento a quem enfrenta uma rotina de tratamento contínuo.

Doença silenciosa preocupa especialistas

Um dos principais alertas feitos durante a entrevista é sobre a dificuldade de identificar problemas renais nas fases iniciais. De acordo com a doutora Marília, os sintomas costumam aparecer apenas quando o quadro já está avançado.

“O rim não dói, não muda a coloração da urina e não para de funcionar de repente. Muitas vezes, o paciente já está com a função bastante comprometida e não percebeu”, explicou.

Ela destaca que exames simples podem indicar alterações precoces. “A creatinina é um exame barato, simples, e mostra como está a função renal. É fundamental que seja solicitado regularmente.”

Prevenção reduz impactos físicos, emocionais e financeiros

A acadêmica de medicina Andressa Cardoso, vice-presidente da Liga de Nefrologia da UniRV, destaca que o foco da campanha é evitar que a doença avance para estágios mais graves.

“Na medicina, aprendemos que o custo da manutenção da doença é sempre maior do que o da prevenção, e isso não é apenas financeiro, mas também emocional, psicológico e físico”, afirmou.

Ela explica que o organismo consegue compensar falhas por um período, o que dificulta a percepção do problema. “O rim é um órgão muito inteligente, ele vai se adaptando e equilibrando. Só que chega uma hora em que ele se esgota e começam a aparecer os sintomas, geralmente já em uma fase avançada.”

Busca por atendimento ainda ocorre de forma tardia

Outro ponto abordado pela acadêmica é o comportamento da população em relação à saúde. Segundo ela, muitas pessoas procuram atendimento apenas quando já apresentam sintomas intensos.

“A gente não deve buscar o médico só quando sente dor ou quando está insustentável. O ideal é investigar antes e fazer acompanhamento. Assim, conseguimos evitar doenças ou intervir de forma mais eficaz”, disse.

Ela também destaca o papel da campanha na conscientização coletiva. “A intenção é orientar tanto a população quanto os profissionais de saúde sobre a necessidade de um olhar mais amplo para o paciente.”

Hidratação é essencial para o funcionamento dos rins

Entre as orientações, a ingestão de água aparece como um fator fundamental para o bom funcionamento do organismo.

“O rim funciona como um filtro do corpo, ele elimina as toxinas. Para isso, precisa de água. Sem água, ele não consegue fazer essa limpeza corretamente”, explicou.

Ela complementa: “É como um filtro de barro, que precisa da água para separar o que sai e o que volta para o sangue. Sem esse cuidado, o sistema vai sendo prejudicado ao longo do tempo.”

Doenças crônicas e fatores genéticos aumentam riscos

A médica nefrologista alerta que pacientes com hipertensão e diabetes devem ter atenção redobrada, principalmente quando convivem com a doença há vários anos.

“Quem tem pressão alta ou diabetes há oito, dez anos já precisa investigar a função renal. Essas doenças afetam os vasos do rim e podem comprometer o funcionamento”, afirmou.

Além disso, há fatores hereditários que também influenciam. “Existem pessoas que têm maior propensão a desenvolver problemas renais, como os cálculos, que podem ser familiares”, explicou.

Cálculo renal pode levar à perda da função do órgão

As chamadas pedras nos rins também foram citadas como um problema que pode evoluir para quadros mais graves. Segundo a doutora Marília, episódios repetidos podem causar danos permanentes.

“Cada vez que a pedra se movimenta, pode causar cicatriz no rim. Isso vai comprometendo o órgão ao longo do tempo e pode levar à perda da função”, disse.

Andressa complementa: “Quando chega a um ponto em que o rim não consegue mais filtrar, o tratamento se torna muito mais complexo e pode exigir diálise ou até transplante.”

Exames gratuitos e orientações durante a campanha

Durante a ação, o público terá acesso a exames e orientações sobre uso de medicamentos, alimentação e ingestão de líquidos.

“Vamos fazer consultas, pedir exames e adiantar o diagnóstico para quem precisar. A ideia é identificar o problema o quanto antes”, afirmou a médica.

Andressa também destaca a participação dos estudantes. “Os acadêmicos estarão auxiliando nas orientações, o que também contribui para a nossa formação e aproxima a população da informação.”

A expectativa é que a ação contribua para ampliar o acesso à prevenção, estimular o diagnóstico precoce e reduzir o número de casos graves relacionados às doenças renais no município.