Criminosos usam dados de processos para cometer crimes

Goianésia-A atuação de criminosos que utilizam informações de processos judiciais para aplicar golpes tem mobilizado instituições em todo o país. A prática explora a expectativa de cidadãos por decisões favoráveis na Justiça e levou entidades da advocacia a reforçar campanhas de conscientização, além de adotar novas estratégias para enfrentar o problema.

Uma das mudanças recentes envolve a forma de classificar esse tipo de crime. A expressão “golpe do falso advogado” tem sido substituída por “golpe contra o sistema de justiça”, com o objetivo de deixar claro que os autores não pertencem à advocacia, mas integram esquemas criminosos organizados.

Como os golpistas atuam

Durante entrevista à RVC FM, no programa Fatorama, o presidente da OAB Subseção Goianésia, Denys Welton Bruno, detalhou que a abordagem segue um padrão recorrente. Os criminosos utilizam fotos e dados reais de advogados para entrar em contato com clientes, geralmente por aplicativos de mensagem, simulando comunicação oficial.

Segundo ele, os golpistas criam situações de urgência, informando sobre suposta liberação de valores judiciais e solicitando depósitos antecipados.

“Eles usam a foto do advogado e entram em contato com o cliente dizendo que o dinheiro está para sair, que será liberado rapidamente, e pedem um valor para viabilizar esse repasse”, explicou.

Sinais de alerta

Um dos principais indícios de fraude é o contato feito por números desconhecidos. A recomendação é desconfiar sempre que houver mudança repentina no canal de comunicação.

“Geralmente, o contato vem de um número diferente daquele que o cliente já possui. Eles utilizam a foto do profissional, mas com outro telefone”, destacou.

Outro ponto de atenção envolve a cobrança de valores. De acordo com o presidente da subseção, não é prática comum que advogados solicitem depósitos para liberação de recursos judiciais, especialmente em ações previdenciárias, trabalhistas ou indenizatórias.

“Não existe essa exigência de pagamento antecipado para liberar valores. Quando há custos, eles são formalizados por meios oficiais, como boletos, e não por transferências diretas”, afirmou.

Casos registrados e impacto

A OAB Goianésia já identificou diversas ocorrências envolvendo esse tipo de fraude, com prejuízos tanto para clientes quanto para profissionais da advocacia.

“Vários clientes e advogados estão sendo vítimas diariamente. Eu mesmo já tive minha imagem utilizada em golpes”, relatou.

Em alguns casos, os criminosos chegam a informar valores fictícios às vítimas, mesmo quando os processos ainda não tiveram decisão judicial.

“Já houve situação em que a pessoa nem teve sentença e o golpista afirma que ela ganhou um valor alto, pedindo uma quantia para liberar o dinheiro”, disse.

Medidas e investigações

Entre as ações em andamento, estão parcerias com tribunais para ampliar mecanismos de segurança, como a autenticação em duas etapas nos sistemas judiciais. A medida busca dificultar acessos indevidos e proteger dados processuais.

Apesar disso, as investigações apontam para a atuação de grupos organizados, que utilizam diferentes estratégias para obter informações e aplicar os golpes.

Orientações à população

A principal recomendação é sempre confirmar qualquer solicitação diretamente com o advogado ou escritório contratado, utilizando canais oficiais já conhecidos.

A entidade também orienta que a escolha do profissional seja feita com base em confiança e reputação, mantendo uma comunicação clara e segura ao longo do processo.

“Se houver qualquer pedido de pagamento fora do padrão ou antes do término do processo, a orientação é desconfiar e buscar confirmação”, reforçou.

Em caso de suspeita, a recomendação é procurar a OAB e registrar ocorrência junto à Polícia Civil. A medida contribui para a identificação dos responsáveis e ajuda a prevenir novas vítimas.