Goianésia-O corpo do pesquisador goiano Danilo Neves Pereira, de 35 anos, chegou ao Brasil pelo Aeroporto Internacional de Guarulhos, na Grande São Paulo. A previsão é de que o traslado siga para Goiânia, onde familiares e amigos organizam o velório nos próximos dias.
A morte de Danilo, ocorrida em Buenos Aires, na Argentina, ainda não foi completamente esclarecida, segundo a família, que aguarda respostas das autoridades sobre as circunstâncias do caso e o paradeiro de pertences pessoais, como o celular do pesquisador.
Horas antes de morrer, na madrugada de 14 de abril, Danilo enviou áudios e vídeos a um amigo no Brasil enquanto caminhava pela Avenida de Mayo, no centro histórico de Buenos Aires.
Em uma das mensagens, ele demonstrava medo e dizia estar em situação de tensão na rua.
“Eu não cheguei em casa ainda, mas estou morrendo de medo. Tipo, morrendo de medo mesmo”, relatou.
Ao longo dos minutos seguintes, foram registrados cerca de 20 áudios e vídeos. Em parte deles, Danilo mencionava um homem com quem teria se encontrado, além de relatar a sensação de estar sendo observado e a presença de movimentações que considerava suspeitas, incluindo pessoas e veículos.
Já com pouca bateria no celular, ele informou que permaneceria em um local movimentado antes de retornar para casa. O último contato ocorreu por volta das 4h. Depois disso, ele não foi mais visto.
Desaparecimento e localização
O desaparecimento foi tornado público no dia 19 de abril, após divulgação pela imprensa brasileira. No dia seguinte, veículos argentinos informaram que um homem com as características de Danilo havia sido encontrado e encaminhado ao Hospital Ramos Mejía, a mais de três quilômetros do último ponto onde ele foi visto.
Segundo registros médicos, ele deu entrada com sinais de “agitação psicomotora associada à intoxicação”. O documento também aponta diagnóstico de pneumonia. Horas depois, ele morreu em decorrência de edema cerebral difuso, congestão e hemorragia.
O corpo permaneceu no necrotério desde 16 de abril e só foi identificado posteriormente. A repatriação ocorreu nesta semana.
Quem era o pesquisador
Natural de Goiânia, Danilo nasceu em 21 de janeiro de 1991. Era formado em Letras pela Universidade Federal de Goiás (UFG), onde também atuou como professor no Centro de Línguas por mais de dez anos.
Com trajetória acadêmica consolidada, concluiu mestrado, publicou livros e chegou a lecionar português na Emory University, nos Estados Unidos. Durante a graduação, também se destacou por projetos artísticos, incluindo a criação da personagem drag queen Zelda, apresentada em atividades acadêmicas.
Saúde e mudança para a Argentina
Segundo familiares e amigos, Danilo tinha diagnóstico de transtorno bipolar e havia interrompido o tratamento após se mudar para a Argentina, cerca de seis meses antes da morte.
A mudança teria sido motivada por relatos de desconforto e sensação de perseguição no Brasil. Já em Buenos Aires, ele voltou a mencionar situações semelhantes em conversas com pessoas próximas.
Apesar das dificuldades, familiares afirmam que ele também vivia um período de projetos acadêmicos e planos profissionais, incluindo a conclusão de atividades de doutorado.
Família pede esclarecimentos
O pai do pesquisador, o produtor rural Daniel Neves Primo, esteve na Argentina para acompanhar os trâmites e reconhecer o corpo.
A família afirma que ainda existem pontos sem resposta sobre o caso, especialmente em relação às circunstâncias da morte e ao desaparecimento de pertences pessoais. Os familiares aguardam esclarecimentos das autoridades argentinas e a conclusão das investigações.




