Goianésia - Goianésia voltou a registrar uma sequência de acidentes graves nos últimos dias, incluindo ocorrências fatais tanto no perímetro urbano quanto nas rodovias que cercam o município. Somente neste mês de maio, o Corpo de Bombeiros Militar contabilizou 33 atendimentos relacionados ao trânsito, média superior a uma ocorrência por dia. Os casos recentes resultaram em quatro mortes e mobilizaram equipes do Corpo de Bombeiros, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Polícia Militar e demais órgãos de segurança.
Entre os acidentes registrados está a colisão entre um Volkswagen Gol e um Jeep Compass, na GO-080, nas proximidades do trevo de acesso à empresa Limagran, que provocou a morte de duas pessoas. Também foi registrada uma ocorrência fatal na Avenida Contorno Oeste. Já no último domingo, um idoso de 71 anos morreu após ser atropelado na Avenida Contorno, na GO-080.
Em entrevista à RVC FM, o comandante do 18º Batalhão Bombeiro Militar de Goianésia, tenente-coronel Ary Bernardo Dutra, afirmou que a imprudência e o excesso de velocidade estão entre os principais fatores responsáveis pelo elevado número de acidentes.
Segundo o comandante, o problema é nacional, mas algumas situações chamam atenção em Goianésia, especialmente a condução de veículos em alta velocidade e a falta de direção defensiva.
“O que mais observamos é a imprudência dos condutores. Parece que as pessoas estão sempre com pressa. O excesso de velocidade está na origem de grande parte desses acidentes graves”, destacou.
O oficial explicou que a redução das mortes no trânsito depende de três etapas fundamentais: prevenção dos acidentes, utilização adequada dos dispositivos de segurança e atendimento rápido e eficiente às vítimas.
Apesar de o Corpo de Bombeiros atuar diretamente na fase de resgate, Dutra ressaltou que a experiência operacional permite identificar falhas recorrentes no trânsito da cidade. De acordo com ele, motociclistas estão envolvidos na maioria das ocorrências atendidas pelas equipes de resgate.
As estatísticas da corporação apontam que colisões entre carros e motocicletas lideram os atendimentos, seguidas pelas quedas de moto. O comandante ressaltou, no entanto, que nem sempre a responsabilidade pelos acidentes é do motociclista, embora ele seja a parte mais vulnerável nas ocorrências.
Os acidentes se concentram principalmente nos bairros Carrilho e Centro, mas há registros em diversas regiões da cidade. Conforme levantamento do Corpo de Bombeiros, cerca de 98% das ocorrências acontecem em cruzamentos, esquinas ou rotatórias.
Dutra também chamou atenção para problemas relacionados à sinalização viária. Segundo ele, há trechos onde a pintura horizontal está desgastada e praticamente invisível, dificultando a identificação de preferências e aumentando o risco de colisões.
Outro ponto destacado pelo comandante foi a ausência de fiscalização eletrônica efetiva. Ele afirmou que diversos radares instalados no município permanecem desligados há longo período, o que, na avaliação dele, transmite aos condutores a sensação de permissividade em relação ao excesso de velocidade.
“Quando os equipamentos estão inoperantes, a mensagem passada é de que não há necessidade de respeitar o limite de velocidade”, afirmou.
O comandante defendeu a realização de estudos técnicos para identificar pontos críticos e implantar medidas estratégicas de fiscalização e controle.
A faixa etária predominante entre as vítimas atendidas pelo Corpo de Bombeiros varia entre 20 e 40 anos, principalmente homens envolvidos em acidentes com motocicletas.
Durante a entrevista, ouvintes também participaram do debate e cobraram ações mais rigorosas de fiscalização. Entre as reclamações apresentadas estão casos frequentes de direção perigosa, motociclistas empinando motos, motoristas em alta velocidade e desrespeito às normas de trânsito.
Dutra concordou que é necessária maior fiscalização e aplicação mais rigorosa das leis, mas ponderou que o poder público também deve garantir condições adequadas de sinalização antes de ampliar medidas punitivas.
O comandante ainda comentou o atropelamento ocorrido na madrugada do último domingo (24), que vitimou o reciclador Vicente Bandeira de Melo, de 71 anos. Segundo ele, o Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 5h e, ao chegar ao local, não encontrou o motorista responsável pelo atropelamento.
A vítima apresentava múltiplas fraturas e lesões graves. Após os primeiros socorros, ela foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas não resistiu aos ferimentos. O caso será investigado pelas autoridades policiais.
Ao final da entrevista, o comandante reforçou a necessidade de conscientização coletiva e do envolvimento de toda a comunidade na redução dos acidentes.
“Não estamos falando apenas de números. Existem inúmeras pessoas que permanecem com sequelas permanentes ou temporárias após esses acidentes. É um problema que precisa do envolvimento de toda a sociedade”, concluiu.




