Empréstimo de nome pode acarretar sérios prejuízos financeiros e sociais, alertam especialistas

Goianésia - A dificuldade de acesso ao crédito continua sendo um grande obstáculo para muitos brasileiros. Diante da negativa de uma solicitação, uma prática cada vez mais comum tem sido o empréstimo do nome de amigos ou familiares para realizar compras ou contrair empréstimos. Embora essa atitude seja muitas vezes vista como uma solução temporária, ela pode resultar em consequências financeiras negativas e constrangimentos pessoais.

O economista Daniel Rodrigues comenta sobre o impacto dessa prática: "O empréstimo de nome pode parecer uma alternativa simples, mas pode gerar problemas graves para ambas as partes envolvidas, prejudicando não só a saúde financeira, mas também a relação entre as pessoas."

De acordo com uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e Offerwise Pesquisas, 27% dos consumidores admitiram ter utilizado o nome de outra pessoa para realizar compras a crédito, como cheques, cartões de crédito, crediário, empréstimos e financiamentos, nos últimos 12 meses. Desses, 20% usaram o cartão de crédito. O economista Marcelo Santos ressalta os riscos dessa prática: "O empréstimo de nome pode gerar complicações financeiras graves, principalmente se o pagamento não for feito no prazo. Além disso, pode impactar a confiança e o relacionamento entre as pessoas envolvidas."

O estudo revela que essa prática é especialmente frequente entre aqueles com dificuldades de acesso ao crédito ou que não possuem uma reserva de emergência. As principais razões apontadas pelos entrevistados para recorrer ao nome de terceiros incluem a negativa do crédito (25%), a utilização do limite do cartão de crédito ou cheque especial (20%) e a decisão de não buscar crédito no futuro (19%). Os especialistas alertam que, embora pareça uma solução imediata, o empréstimo de nome pode agravar ainda mais a situação financeira dos envolvidos, criando um ciclo de endividamento que é difícil de romper.