Desafios econômicos e a luta pelo básico no orçamento das famílias goianas

 

Goianésia - Em fevereiro, o custo da cesta básica em Goiânia foi de R$ 739,34, uma redução de 2,32% em relação ao mês anterior, mas com um aumento de 4,45% em comparação ao mesmo mês de 2024. A queda nos preços de itens como batata, banana, arroz, carne bovina e óleo de soja ajudou a diminuir o valor geral, mas alguns produtos, como café, leite e tomate, tiveram altas consideráveis. Para Leila Brito, supervisora técnica do Dieese, Goiás ocupa uma posição intermediária no ranking nacional, mas isso não diminui o impacto do custo elevado: “Embora o estado não seja o mais caro, o preço da cesta básica ainda pesa no bolso das famílias, especialmente para aquelas de menor renda.”

Outro dado alarmante da pesquisa é o número de horas de trabalho necessárias para que os goianos adquiram uma cesta básica. São 109 horas e 42 minutos de trabalho para garantir os itens essenciais, um reflexo direto das flutuações no mercado e das variações sazonais de preços. O café, por exemplo, registrou um aumento de 113,98% nos últimos 12 meses, enquanto outros itens também enfrentam alta. “A escassez de produtos e o aumento nos custos de transporte são fatores determinantes para essa inflação alimentar, afetando diretamente as famílias de baixa renda", explica Leila Brito.

Elaine Barbosa, dona de casa que vive com um salário mínimo, relata que, com a alta constante nos preços, muitas famílias se veem obrigadas a cortar itens essenciais. “Está cada vez mais difícil comprar tudo o que precisamos. Temos que escolher entre arroz, feijão, carne... A qualidade da alimentação cai, mas o orçamento não dá para mais nada.” Para ela, a solução muitas vezes é substituir alimentos por versões mais baratas ou até mesmo deixar de consumir certos itens.