Goianésia - O fortalecimento das entidades representativas, a atuação política organizada e os impactos da reforma tributária são centro do debate de lideranças empresariais em Goianésia. A visita do presidente da Federação das Associações Comerciais do Estado de Goiás (Facieg), Marcío Luís, ao município evidenciou o momento de reestruturação institucional vivido pelo comércio local e destacou o papel estratégico da CDL na articulação de pautas que ultrapassam os limites da cidade. Em entrevistas exclusivas, o presidente da CDL de Goianésia, João Mário Tessarollo, e o presidente da Facieg abordaram bastidores, desafios e caminhos para o setor produtivo.
À frente da CDL Goianésia, João Mário Tessarollo descreve uma rotina marcada por demandas intensas e pela necessidade permanente de atualização. Para ele, a atuação à frente da entidade exige sair da zona de conforto e acompanhar de perto debates que impactam diretamente o comércio. “Com o presidente atuante, com o pensamento que ele tem, ele nos obriga também a estudar e aprender mais para poder divulgar, para ser o multiplicador dessas ideias. A demanda é muito grande”, afirmou.
Segundo Tessarollo, muitas ações desenvolvidas pelas entidades representativas não são visíveis para a maioria dos comerciantes, embora tenham efeitos diretos sobre o ambiente de negócios. “As pessoas nem sempre sabem o que está sendo feito nos bastidores, mas visitar Brasília, reivindicar, dialogar, isso é frequente”, explicou.
Em Goianésia, esse cenário ganha contornos ainda mais relevantes devido à forte presença do comércio e do setor de serviços na geração de empregos. “Nós representamos esse segmento e estamos em Brasília buscando benefícios tanto para associados quanto para quem não é associado”, completou.
Para o presidente da Facieg, Márcio Luís, Goianésia ocupa posição de destaque no empreendedorismo goiano. “Goianésia é uma referência nacional, não é apenas estadual nesse aspecto. Vocês são exemplos para quem empreende. Quando tomei posse, em maio de 2023, a nossa rede estava presente em 55 cidades. Olhando esse mapa, me chamou atenção Goianésia não ter associação comercial. Começamos uma interlocução com o João Mário, que enxergou a possibilidade de ampliar os benefícios aos associados”, disse.
O trabalho conjunto entre CDL e federação resultou na criação da associação comercial e na ampliação da rede estadual. “Hoje nós estamos em 77 cidades”, destacou Márcio Luís.
Na avaliação do presidente da Facieg, o sucesso das entidades depende diretamente da atuação local. “A federação é como uma tampa de mesa bonita e robusta, mas quem mantém a mesa em pé são as bases, as associações comerciais”, comparou.
Reforma tributária no centro das preocupações
Entre os principais temas discutidos, a reforma tributária aparece como um dos maiores desafios para o setor produtivo. “Nós vamos pagar mais imposto do que já estamos pagando. O governo arrecadou como nunca, mas gastou ainda mais. Isso exige atenção redobrada dos empreendedores”, afirmou.
Segundo o presidente da Facieg, o novo cenário vai demandar organização e posicionamento firme das entidades representativas. “O setor produtivo passa por muitos desafios e precisa estar atento. Qualquer segmento que não se organiza politicamente vira refém de outros”, alertou Márcio Luís.
Ele defendeu que a política faz parte da vida cotidiana e impacta diretamente a economia. “A política é como o ar que você respira. Pode não gostar, mas ela está presente. Se nós não colocarmos nossos nomes à disposição ou não apoiarmos quem defende o setor, outros vão se organizar e nós seremos prejudicados”, disse.
Trabalho coletivo como caminho
Com mais de duas décadas de atuação no associativismo, Márcio Luís reforçou sua crença na força do trabalho coletivo.
“Eu acredito muito na organização. A mudança começa por dentro de nós. Muitas vezes somos leões nas redes sociais, mas quando é para participar da associação comercial, somar forças, a adesão diminui. Nós fomos lá na Jalles, foi uma reunião extremamente produtiva e, de todas as qualidades que o Otavinho tem, eu, de longe, enxergo uma que é muito rara, principalmente para aqueles que conseguem ter um grande desempenho em qualquer área, que é a humildade. Tem gente que, como já diz o ditado, sobe em cima do tamborete e acha que é melhor do que os outros, e aí você conhece de fato a personalidade daquela pessoa. E o Otavinho não. É um grande empresário, é um dos maiores empregadores não de Goianésia, mas do estado de Goiás como um todo. É um empreendedor nato”, concluiu.




