Especialista afirma que impacto imediato é reduzido, mas alerta para possíveis acréscimos

Goianésia - O encerramento do subsídio de R$ 0,35 por litro do diesel, anunciado pelo Ministério da Fazenda, ainda não deve provocar aumento imediato no preço do combustível para o consumidor. A avaliação é do advogado empresarial e tributarista especializado no setor de combustíveis, Carlos Menezes, que atribui esse cenário à redução de preço adotada pela Petrobras nas refinarias.

Segundo o especialista, a estatal concedeu um desconto equivalente ao valor do benefício encerrado, mantendo o equilíbrio nos preços praticados junto às distribuidoras e evitando, neste primeiro momento, reflexos diretos nas bombas.

“O que ocorre majoritariamente nessa primeira fase de retirada desses benefícios é a possibilidade de uma majoração de preço. No entanto, a Petrobras anunciou, em conjunto com o governo federal, um desconto de R$ 0,35 por litro no produto vendido às distribuidoras. No fim das contas, fica um equilíbrio. Não há reflexo imediato ao consumidor enquanto esse desconto for mantido”, explicou.

Apesar da estabilidade inicial, especialistas acompanham com atenção a possibilidade de novas alterações na política de incentivos fiscais. O governo federal estuda rever outros benefícios concedidos ao setor, incluindo a desoneração de R$ 1,12 por litro do diesel e de R$ 0,44 por litro da gasolina.

Caso essas medidas sejam implementadas, a gasolina poderá registrar aumento estimado entre R$ 0,80 e R$ 0,90 por litro, segundo projeções do setor.

Carlos Menezes ressalta que os efeitos da alta da gasolina tendem a alcançar diferentes segmentos da economia, uma vez que o combustível influencia diretamente os custos de transporte e mobilidade urbana.

“A gasolina interfere na precificação de vários serviços, como transporte por aplicativo, táxis e deslocamentos diários. Isso gera impacto na inflação. Dentro desses R$ 0,44, parte significativa corresponde à carga tributária, que representa cerca de 35% do valor do combustível. Esse aumento pode chegar a 80 ou 90 centavos e refletir diretamente no consumo”, afirmou.

O especialista observa ainda que a revisão dos incentivos faz parte da estratégia do governo para recompor a arrecadação federal, após perdas estimadas em aproximadamente R$ 20 bilhões desde 2021 em decorrência das desonerações concedidas aos combustíveis.

De acordo com análises do setor, eventuais reajustes devem ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos meses. Além de pressionar a inflação, a elevação dos preços pode aumentar os custos logísticos, especialmente no transporte de cargas, que depende majoritariamente do diesel.

O impacto também tende a alcançar a cadeia de abastecimento de alimentos e outros produtos, elevando despesas para empresas e consumidores e ampliando a pressão sobre o custo de vida.