Goianésia - O debate sobre as eleições de 2026 começa a ganhar força em Goiás, especialmente em torno das disputas para o Senado Federal e da formação das chapas proporcionais. Em meio às articulações partidárias e movimentações nos bastidores, lideranças políticas já discutem possíveis candidaturas e alianças para a próxima corrida eleitoral. Nesta semana, no quadro “Falando Sério”, da RVC FM, o ex-deputado federal Vilmar Rocha comentou o cenário político nacional, fez críticas ao funcionamento atual do Senado e falou sobre a possibilidade de voltar a disputar um cargo eletivo.
Vilmar Rocha afirmou que o debate sobre as vagas ao Senado em Goiás ganhou intensidade nas últimas semanas, principalmente dentro da base governista. O ex-deputado avaliou que a disputa tem ocorrido sem uma discussão mais profunda sobre a função institucional do cargo.
“A eleição para senador é muito importante, e muita gente não sabe distinguir qual é o papel de um senador. O senador não é igual a deputado federal”, afirmou.
Segundo ele, o Senado possui competências estratégicas dentro da estrutura republicana brasileira.
“O senador pode fazer tudo o que um deputado federal faz, mas o deputado não pode fazer tudo o que o senador faz. Há prerrogativas específicas do Senado”, declarou.
Vilmar citou como exemplo o poder de aprovar ministros do Supremo Tribunal Federal e integrantes de tribunais superiores.
“É o Senado que aprova a indicação dos ministros do Supremo Tribunal Federal e dos tribunais superiores. Cabe ao Senado fazer o controle do Poder Judiciário no Brasil. Esse é o contrapeso institucional”, explicou.
Na avaliação dele, porém, o Senado perdeu parte da relevância política nos últimos anos.
“O problema é que houve uma degradação do Senado. Gente completamente desqualificada virou senador. Pessoas que não sabem nem qual é o papel de um senador”, criticou.
O ex-deputado afirmou que muitos parlamentares passaram a atuar apenas na liberação de emendas para municípios, deixando de lado atribuições constitucionais mais amplas.
“Hoje, muitos senadores fazem apenas o papel de entregar emenda parlamentar. Isso é importante, mas é muito pouco diante da responsabilidade que o Senado tem”, disse.
Vilmar Rocha comparou o cenário atual com períodos históricos da política goiana e nacional.
“Juscelino Kubitschek já foi senador por Goiás. Pedro Ludovico Teixeira foi senador por Goiás. Imagine a qualidade do Senado naquele período”, afirmou.
Segundo ele, atualmente há uma perda de identidade política e institucional dentro da Casa.
“Pergunte hoje quem são os senadores de São Paulo, do Rio ou de outros estados. Ninguém sabe. Virou uma vala comum”, comentou.
Vilmar também criticou a falta de interesse da população em compreender a função dos parlamentares no Congresso Nacional.
“Não há, por parte da cidadania, uma preocupação com o papel do Senado”, avaliou.
Cenário presidencial e críticas à polarização
Ao comentar a sucessão presidencial de 2026, Vilmar Rocha avaliou que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro enfrenta fragilidades políticas.
“Ele está bem nas pesquisas muito mais por causa do mito do pai do que por mérito próprio”, afirmou.
O ex-deputado citou o escritor Fernando Pessoa ao falar sobre lideranças políticas personalistas.
“Fernando Pessoa dizia que o mito é tudo o que não é nada. Eu gosto muito dessa frase.” Na avaliação dele, o Brasil vive um momento de desgaste da polarização entre petismo e bolsonarismo.
“Quase 40% dos eleitores querem fugir dessa polarização. Não querem nem Lula nem Bolsonaro e estão procurando uma alternativa”, disse.
Vilmar acredita que esse espaço político ainda pode ser ocupado até a eleição.
“Essa alternativa ainda não apareceu de forma clara para a maioria do eleitorado, mas ainda pode surgir”, afirmou.
Banco Master e possíveis impactos políticos
Questionado sobre o desgaste sofrido por Flávio Bolsonaro após o vazamento de um áudio relacionado ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, Vilmar disse que o caso pode provocar mudanças relevantes no cenário nacional.
“Dependendo do que surgir, pode haver um esvaziamento da campanha do Flávio Bolsonaro”, afirmou.
Ele citou declarações do senador Renan Calheiros envolvendo o presidente da Câmara, Hugo Motta, e operações financeiras ligadas ao Banco Master.
“Estou vendo acusações muito graves sendo feitas. Agora é preciso acompanhar os fatos antes de qualquer conclusão”, disse.
Mesmo com críticas à candidatura de Flávio Bolsonaro, Vilmar afirmou que considera necessário o surgimento de uma alternativa ao atual governo federal.
“Precisamos encontrar uma maneira de tirar o PT do governo. O PT está comprometendo e dificultando o crescimento do país”, declarou.
PSD avalia candidatura de Vilmar Rocha à Câmara Federal
Durante a entrevista, Vilmar Rocha confirmou que dirigentes e pré-candidatos do PSD defendem sua entrada na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Segundo ele, a discussão ocorreu durante reunião da comissão provisória estadual do partido.
“Disseram lá que, mantendo a chapa atual, o partido faria dois deputados federais. Mas, se eu fosse candidato, o PSD poderia fazer três”, contou.
Vilmar afirmou que parte dessa avaliação ocorre porque ele possui um perfil eleitoral diferente do tradicional.
“Eu tenho um voto mais ligado aos formadores de opinião e à sociedade civil. Não é aquele voto clássico de prefeito, vereador ou liderança regional”, explicou.
Apesar disso, o ex-deputado disse que ainda não possui segurança política suficiente para confirmar a candidatura.
“Para eu ser candidato a deputado federal, seria fundamental ter um apoio muito forte em Goianésia, que sempre foi minha base política. Hoje, eu não tenho essa segurança”, declarou.
Segundo ele, a decisão será tomada apenas durante as convenções partidárias de agosto.
“Estou analisando as condições objetivas para ser ou não candidato”, afirmou.
Participação política sem mandato
Mesmo sem exercer mandato desde 2015, Vilmar Rocha afirmou que continua atuando de maneira intensa no debate político e institucional.
“Tem onze anos que estou sem mandato e continuo firme na política, escrevendo, fazendo palestras, concedendo entrevistas e participando dos debates”, declarou.
Ele afirmou que um político precisa expor publicamente suas posições para construir credibilidade.
“A sociedade precisa saber o que a pessoa pensa. Isso torna o político previsível e, portanto, confiável”, comentou.
Vilmar citou críticas feitas ao Supremo Tribunal Federal ao longo dos últimos anos como exemplo de posicionamento político.
“Em 2025, minhas posições foram muito fortes contra o Supremo e alguns ministros. Isso é fazer política”, afirmou.
Ao encerrar a entrevista, o ex-deputado disse que pretende seguir participando do debate público, independentemente de disputar ou não as eleições de 2026.
“Sendo ou não candidato, eu vou participar dessa eleição. Política é defender causas e pensar no bem coletivo, não no interesse individual”, concluiu.




