Integrante da Seleção Brasileira de Wrestling, a goianesiense Kamila Barbosa afirma que a estrutura possibilita treinamento em tempo integral

Goianésia-O esporte de alto rendimento exige dedicação integral, preparação constante e participação frequente em competições nacionais e internacionais. Em um cenário em que muitos atletas brasileiros enfrentam dificuldades para custear treinamentos, viagens e despesas básicas, programas de incentivo vinculados às Forças Armadas se tornaram uma das principais alternativas para garantir a continuidade de carreiras esportivas no país.

A goianesiense Kamila Barbosa, integrante da Seleção Brasileira de Wrestling e medalhista em competições pan-americanas e sul-americanas, conhece essa realidade de perto. Atualmente vinculada à Marinha do Brasil, ela explicou que o ingresso no Programa Olímpico exige um histórico consolidado de resultados e desempenho em competições de alto nível.

“Não é fácil, porque você tem que ser um atleta de alto rendimento e de alta performance. Eles querem contratar atletas que visam que vão participar de uma Olimpíada. Você pode permanecer lá oito anos, durante dois ciclos olímpicos. Então, você tem que ter títulos, estar sempre bem pontuado e ter uma boa participação na América e em competições mundiais”, contou.

Segundo a atleta, mesmo após conquistar medalhas e representar o Brasil em importantes eventos internacionais, o processo para ingressar na instituição foi longo e competitivo.

“Para mim, foi muito difícil, porque eu já tinha participado de dois Jogos Pan-Americanos, já tinha medalha pan-americana e participado de vários mundiais. Mesmo assim, demorou muito para eu conseguir entrar”, relatou.

Suporte permite dedicação exclusiva ao esporte

O apoio oferecido pelas Forças Armadas vai além da preparação para competições. A estrutura disponibilizada inclui acompanhamento profissional, suporte físico, auxílio financeiro e condições para que o atleta concentre seus esforços exclusivamente na carreira esportiva.

Kamila afirma que a realidade de quem vive do esporte no Brasil ainda é desafiadora e que muitos atletas precisam dividir o tempo entre treinamentos e outras atividades profissionais para garantir renda.

“Hoje, graças a Deus, eu tenho o privilégio de ter como trabalho apenas o esporte. Eu me mantenho através dele, o que não é o caso de uma grande parcela dos atletas brasileiros. Foram muitos perrengues, falta de patrocínio, falta de ajuda privada e também de ajuda pública até chegar aqui”, disse.

Ela acrescenta que o vínculo com a Marinha trouxe estabilidade em um momento importante da carreira. “Hoje, a Marinha realmente é o meu suporte para continuar no esporte. É ela que me permite ter uma certa dignidade, pagar meu aluguel e seguir competindo. Por causa do esporte, eu moro longe da minha cidade e da minha família”, afirmou.

Dados do Comitê Olímpico do Brasil apontam que grande parte dos representantes brasileiros em Jogos Olímpicos recebe algum tipo de apoio das Forças Armadas. Na avaliação de Kamila, esse incentivo é fundamental para que os atletas consigam alcançar o máximo desempenho.

“Eu acho que seria muito difícil me manter na carreira esportiva, performando da melhor forma possível, sem esse apoio. O Programa Olímpico da Marinha é o que garante que o atleta consiga competir em alto nível. É um aporte que faz toda a diferença e dá estabilidade para continuar na profissão”, explicou.

A atleta observa que muitos esportistas ainda enfrentam uma rotina exaustiva para manter seus projetos esportivos.

“Hoje, não é a realidade de muitos atletas. Muitos precisam trabalhar, treinar e ainda ter outro emprego para conseguir dinheiro e investir no próprio esporte. É uma realidade difícil no Brasil”, comentou.

Investimento amplia oportunidades e revela talentos

Além dos resultados alcançados por atletas já consolidados, programas de incentivo também contribuem para a formação de novos talentos e para a ampliação das oportunidades no esporte brasileiro.

Para Kamila, iniciativas desse tipo permitem que jovens atletas tenham acesso a melhores condições de treinamento, participação em competições e perspectivas de crescimento profissional.

“Graças à Marinha e ao Programa das Forças Armadas, eu consigo me manter performando e competindo em nível mundial. Esse apoio permite que o atleta faça exclusivamente aquilo para o que se preparou durante anos”, afirmou.

A trajetória da goianesiense evidencia o papel dos investimentos públicos na manutenção do esporte de alto rendimento. Com suporte adequado, atletas conseguem representar o Brasil em competições internacionais, elevar o nível técnico das modalidades e servir de inspiração para novas gerações que enxergam no esporte uma oportunidade de transformação pessoal e profissional.