Investigações apontaram que o profissional autônomo agiu de maneira negligente ao manusear um produto tóxico e solvente

Goianésia - Seis meses após o incêndio que resultou na morte de um casal e de um bebê de 23 dias em Valparaíso de Goiás, na região do Entorno do Distrito Federal, a Justiça decidiu tornar Renan Lima Vieira réu. Ele é apontado como responsável pela impermeabilização do sofá da residência da família, o que, segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), teria sido o fator desencadeante das chamas.

A denúncia, apresentada pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) e que envolve o crime de incêndio culposo (sem intenção de causar o dano), foi aceita pela Justiça nesta quarta-feira (12/3). A promotora Marina Mello de Lima Almeida, responsável pela 1ª Promotoria de Justiça de Valparaíso de Goiás, detalhou na acusação que o fogo se originou entre a cozinha e a sala do apartamento onde o casal morava. Outras causas, como falhas elétricas ou vazamento de gás, foram investigadas, mas os sistemas estavam em bom estado e com a manutenção em dia.

De acordo com a denúncia, as investigações apontaram que o profissional autônomo agiu de maneira negligente ao manusear um produto tóxico e solvente, sem fornecer as orientações necessárias aos moradores ou seguir as instruções da embalagem do produto. O MPGO enfatizou que a embalagem do impermeabilizante alertava para o alto risco de inflamabilidade do produto, especialmente durante o processo de secagem, e indicava que ele não deveria ser utilizado em ambientes pequenos e fechados.

A promotora também destacou que, em depoimento, o réu admitiu não ter verificado as especificações do produto antes de usá-lo, o que evidenciou a negligência e a falta de habilidade que contribuíram para o incêndio. O casal e o bebê, após o início do fogo, ficaram presos no quarto e tentaram escapar pela janela. No entanto, acabaram caindo do 7º andar do prédio.