Em 2024, um estudo revelou que 21,5% dos professores classificam sua saúde mental como "ruim" ou "muito ruim", com sintomas como ansiedade, cansaço excessivo e dificuldades para dormir

Goianésia - A saúde mental dos professores no Brasil tem se tornado uma preocupação crescente, com muitos profissionais enfrentando sérios desafios emocionais devido às condições de trabalho. Turmas superlotadas, jornadas exaustivas, acúmulo de tarefas administrativas e a falta de reconhecimento são apenas alguns dos fatores que têm contribuído para o aumento de transtornos como ansiedade, depressão e síndrome de burnout entre os educadores.

O professor Jorciley Custódio compartilhou sua visão sobre essa realidade. "Como dizia Cora Coralina: ‘Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina’. Mas surge uma pergunta importante: o professor está bem emocionalmente para transferir o conhecimento para seus alunos?", questiona. Segundo dados da Nova Escola, 21% dos professores enfrentam problemas relacionados à saúde mental. Para Jorciley, um dos maiores desafios é o distanciamento dos alunos. "Ao observar, vejo que um dos maiores problemas é o distanciamento dos alunos, que não demonstram o engajamento necessário no processo de aprendizagem", afirmou.

Em 2024, uma pesquisa revelou que 21,5% dos professores classificam sua saúde mental como "ruim" ou "muito ruim", com sintomas como ansiedade, cansaço excessivo e dificuldades para dormir. Além disso, a violência nas escolas tem agravado ainda mais o cenário: 66,4% dos docentes relataram um aumento na agressividade dos alunos em relação aos professores e funcionários.

Jorciley também apontou outros fatores que impactam a saúde mental dos educadores. "O papel da família tem se mostrado cada vez mais distante da escola e das obrigações de acompanhar seus filhos, sobrecarregando o professor com responsabilidades que vão além da sala de aula. Além disso, as escolas estão reféns de um sistema em constante mudança, e os educadores acabam assumindo tarefas administrativas extras, o que agrava ainda mais a situação", disse.

Especialistas e entidades educacionais defendem a implementação urgente de políticas públicas que promovam o bem-estar dos professores. Entre as sugestões estão o acesso a apoio psicológico, melhorias nas condições de trabalho e maior reconhecimento profissional, a fim de garantir que os educadores possam desempenhar suas funções com saúde emocional e motivação.