Goianésia- Um caso de suspeita de maus-tratos contra um cachorro comunitário tem mobilizado moradores e protetores de animais em Goiânia. O animal, conhecido como Johnny, foi atingido por um líquido enquanto descansava em uma calçada no Setor Castelo Branco, na região Oeste da capital.
As imagens mostram o momento em que uma mulher se aproxima e lança a substância contra o cão, que vivia na rua, mas era cuidado por moradores da região. Após a divulgação do vídeo, vizinhos identificaram a suspeita, que negou ter usado líquido quente ou com intenção de ferir o animal. Segundo ela, tratava-se de água com produto de limpeza utilizada na higienização da garagem.
Apesar da identificação, a investigação ainda está em fase inicial. A delegada Simelli Lemes, do Grupo de Proteção Animal da Polícia Civil, explicou que o caso depende de elementos técnicos para avançar. De acordo com ela, a corporação aguarda o resultado da perícia para determinar a natureza da substância utilizada e se houve intenção de causar dano.
A expectativa é que o laudo pericial seja concluído em até dez dias. Paralelamente, a polícia iniciou o agendamento de depoimentos de testemunhas e da mulher apontada como responsável pelo ato.
Enquanto isso, o estado de saúde do animal reforça a gravidade da situação. Veterinárias que realizaram o atendimento afirmam que Johnny apresenta lesões compatíveis com queimaduras severas. Segundo a avaliação clínica, há perda significativa de pelos e feridas profundas na região do dorso, características que indicam possível exposição a líquido quente ou substância química agressiva.
O cachorro segue em tratamento, com acompanhamento diário e cuidados intensivos para evitar infecções e aliviar a dor.
Caso seja comprovado o crime de maus-tratos, a suspeita poderá responder com base na Lei Sansão (Lei 14.064/2020), que prevê pena de dois a cinco anos de reclusão, além de multa. A situação também pode ser enquadrada no Decreto nº 12.877/2026, que endurece as penalidades administrativas para casos de violência contra animais.
Entre os agravantes considerados estão o uso de meio cruel, a condição de vulnerabilidade do animal e a gravidade das lesões. Nesses casos, as multas podem variar de R$ 1.500 a R$ 50 mil por animal, podendo atingir valores ainda mais altos em situações extremas.




