Goianésia-O atendimento a pacientes com doença renal tem mobilizado profissionais de saúde e entidades sociais em Goianésia, especialmente durante ações de conscientização sobre prevenção e tratamento. Além do acompanhamento médico, o suporte oferecido por instituições como a Casa de Apoio Rim Viver tem se consolidado como essencial para acolher pacientes da cidade e de toda a região, garantindo assistência durante o tratamento.
Atuação e histórico da instituição
A Casa de Apoio Rim Viver, que atua há duas décadas, é mantida por uma diretoria formada, em grande parte, por pessoas que já passaram por tratamento renal. A proposta surgiu justamente a partir dessa vivência e da necessidade de acolhimento.
Em entrevista à RVC FM, o médico nefrologista Robson Tavares comenta sobre a atuação da instituição em Goianésia. “Nós temos uma diretoria com dez pessoas, muitas delas transplantadas ou ainda em tratamento. São 20 anos de assistência aos pacientes renais de Goianésia e região. É um trabalho totalmente filantrópico, gratuito, e que se mantém com doações da população.”
Origem do projeto
A iniciativa nasceu diante das dificuldades enfrentadas por pacientes que precisavam se deslocar para outras cidades em busca de tratamento. Com a implantação da clínica de diálise no município, surgiu a necessidade de oferecer suporte também a quem vinha de fora.
“A casa surgiu dessa realidade. Antes, os pacientes saíam daqui para tratar em outras cidades e enfrentavam muitas dificuldades. Quando a clínica começou a funcionar em Goianésia, percebemos que pessoas de outros municípios passavam pelo mesmo processo. Foi daí que surgiu a ideia de acolhimento”, relata o especialista.
Experiência de pacientes
Além do acolhimento, a instituição atua na orientação da população sobre a doença renal, que apresenta crescimento nos últimos anos. A diretora Shirlene Ferreira compartilhou a própria experiência como paciente.
“Eu sentia muitas dores de cabeça desde jovem, mas não sabia a causa. Com o tempo, surgiram outros sintomas, como inchaço e falta de ar. Quando procurei atendimento, já fui diagnosticada com doença renal e precisei iniciar a hemodiálise imediatamente.”
Ela também descreveu o processo até o transplante e a mudança na qualidade de vida após o procedimento. “Fiz hemodiálise por seis anos e, depois, surgiu a necessidade do transplante. Existe receio, por causa do risco de rejeição, mas é uma oportunidade de deixar a diálise. Após o procedimento, houve um período até o rim começar a funcionar, mas depois consegui retomar minha rotina, sempre com acompanhamento médico.”
Importância do diagnóstico precoce
Segundo o médico nefrologista, muitos casos poderiam ser evitados com diagnóstico precoce, já que a doença costuma evoluir de forma silenciosa.
“O rim é um órgão que só apresenta sintomas quando já está bastante comprometido. As principais causas são hipertensão e diabetes, além de fatores como idade e predisposição genética. Quando a função renal se reduz de forma significativa, torna-se necessário iniciar diálise ou indicar o transplante.”
Ele também alerta para hábitos que podem comprometer a saúde renal, como o uso frequente de medicamentos sem orientação. “O uso contínuo de anti-inflamatórios pode prejudicar a função dos rins. Além disso, é fundamental manter uma boa ingestão de água, controlar o consumo de sal e realizar acompanhamento médico, principalmente nos grupos de risco.”
Atendimento regional
Atualmente, a Casa de Apoio Rim Viver atende pacientes de cerca de dez municípios da região, oferecendo alimentação e suporte durante o tratamento.
“Os pacientes passam pela casa para se alimentar antes ou depois da hemodiálise. São cerca de 42 refeições por dia, de segunda a sábado. Esse trabalho só é possível com a ajuda de parceiros e da comunidade.”
Estrutura de acolhimento
A estrutura conta com leitos para acolhimento temporário de pacientes que precisam permanecer na cidade para exames ou sessões adicionais.
“Temos 15 leitos e atendemos conforme a demanda. É uma casa de passagem, porque a procura é grande. Muitos chegam fragilizados e precisam desse suporte até conseguirem se reorganizar.”
Apoio da comunidade
Para manter as atividades, a instituição depende de doações e do apoio da população.
“Quem quiser contribuir pode procurar a diretoria na Casa de Apoio. Recebemos diversos tipos de doações, principalmente alimentos. É um trabalho que depende da solidariedade, já que atendemos pacientes que, em sua maioria, enfrentam dificuldades.”
A atuação conjunta entre profissionais de saúde e a entidade tem garantido assistência contínua, ampliando o acesso ao tratamento e promovendo informação sobre prevenção e cuidados com a saúde renal.
Campanha de prevenção
As ações de conscientização integram o trabalho desenvolvido pela instituição. Uma das integrantes da diretoria, Neci Gomes, informou que uma campanha de prevenção será realizada em abril, voltada especialmente aos grupos de risco.
“Vamos realizar uma campanha alusiva ao Dia Mundial do Rim no dia 11 de abril, a partir das 8 horas, na sede da Casa de Apoio, na Alameda Otávio Lage. Teremos a participação de voluntários e acadêmicos de medicina, que vão auxiliar na triagem e na realização de exames.”
Segundo ela, a mobilização tem como foco pessoas com maior risco de desenvolver problemas renais, como idosos, diabéticos e hipertensos.
“Serão realizados exames de urina, glicose e creatinina, além do controle do IMC e orientações sobre saúde. Também haverá acompanhamento médico ao longo do dia.”
A campanha busca identificar precocemente possíveis casos da doença, que muitas vezes evolui de forma silenciosa.
“Em campanhas anteriores, já conseguimos identificar pacientes com comprometimento renal importante. A partir disso, foi possível iniciar o tratamento e até encaminhar para transplante antes do agravamento do quadro. Por isso, esse tipo de ação é fundamental”, conclui.




