Goianésia-O Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, promove uma reflexão sobre inclusão, respeito e garantia de direitos às pessoas com a condição. A data amplia o debate sobre preconceito, desenvolvimento e os desafios enfrentados por famílias no cotidiano.
Em entrevista à RVC FM, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto, compartilhou a experiência como pai de uma criança com síndrome de Down e abordou aspectos que surgem desde o período gestacional.
“Eu tenho uma filha com síndrome de Down, a Maria Rita, de 1 ano e 4 meses, e isso transformou completamente a minha vida. O preconceito surge antes mesmo do nascimento. Em exames durante a gestação, há orientações, inclusive em outros países, sobre a possibilidade de interrupção da gravidez. Em locais como Islândia, esse índice chega a quase 100%, e nos Estados Unidos gira em torno de 67%”, relatou.
No Brasil, não há dados oficiais sobre interrupções relacionadas à condição. Mesmo assim, o delegado avalia que o tema precisa ser tratado com maior profundidade, sobretudo no que envolve acolhimento e aceitação.
“É uma condição genética e o impacto inicial para os pais é real. Não é simples no começo, mas, com o tempo, compreendemos que não se trata de uma limitação absoluta, e sim de uma forma diferente de desenvolvimento. Hoje, minha filha representa alegria e aprendizado dentro de casa”, afirmou.
Ele explica que o desenvolvimento exige acompanhamento contínuo e estímulos específicos, o que demanda dedicação diária das famílias.
“Ela ainda não anda, por exemplo, mas faz terapias todos os dias e apresenta evolução. É um processo constante. Com estímulo adequado, essas crianças podem alcançar autonomia e construir uma vida semelhante à de qualquer outra pessoa”, pontuou.
O delegado mencionou exemplos de pessoas com síndrome de Down que conquistaram independência, formação acadêmica e inserção no mercado de trabalho, evidenciando o potencial além dos desafios iniciais.
“Conheci jovens adultos que se formaram, trabalham, dirigem e têm autonomia. No início, parece algo distante, mas depois percebemos que existem muitos casos assim. Com apoio familiar e acesso às condições necessárias, essas pessoas constroem suas próprias trajetórias”, disse.
Inclusão social e enfrentamento do isolamento
A data reforça a necessidade de ampliar a participação social e fortalecer vínculos. Segundo o delegado, o tema da campanha deste ano chama atenção para o isolamento social enfrentado por esse público.
“A proposta é combater a solidão. Muitas vezes, essas pessoas encontram barreiras para se inserir socialmente, fazer amizades e participar de atividades. Isso exige uma mudança coletiva de mentalidade, para que todos reconheçam as particularidades de cada indivíduo”, afirmou.
No Brasil, a estimativa é de cerca de 300 mil pessoas com síndrome de Down, número que reforça a necessidade de políticas públicas e adaptação de espaços, como escolas e ambientes de trabalho.
Acesso a terapias ainda é desafio
Entre as principais dificuldades relatadas pelas famílias está o acesso a terapias especializadas, tanto pela oferta limitada quanto pelos custos elevados.
“O maior desafio hoje é garantir acesso a terapias de qualidade. Muitas vezes, são caras e não estão disponíveis de forma adequada na rede pública. Quem tem condições busca atendimento fora da cidade, mas essa não é a realidade da maioria”, relatou.
Ele acrescenta que o aumento da demanda por atendimentos voltados a diferentes condições, como autismo e TDAH, pressiona o sistema de saúde e dificulta o acesso universal.
“O início precoce e a qualidade das terapias fazem diferença no desenvolvimento. Quando esse suporte chega cedo, os resultados aparecem ao longo da vida. Por isso, essa é uma das principais pautas para famílias atípicas”, explicou.
A data funciona como um convite à sociedade para ampliar o olhar sobre inclusão, reduzir barreiras e promover condições mais equitativas para pessoas com síndrome de Down e suas famílias.




