Goianésia- Uma operação do Ministério Público de Goiás apura um suposto esquema de desvio de recursos na Agência Goiana de Habitação (Agehab), com prejuízo estimado em até R$ 80 milhões. A investigação envolve possíveis irregularidades na contratação de obras públicas e indícios de favorecimento a uma construtora com sede em Anápolis.
Durante a ação, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão. As apurações apontam que, entre 2022 e 2025, os contratos analisados ultrapassam R$ 200 milhões, com aumento significativo após mudanças na gestão do órgão. Na operação, também foram apreendidas quantias em dinheiro, em moeda nacional e estrangeira, além de armas devidamente registradas.
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o promotor de Justiça e coordenador do Grupo de Atuação Especial do Patrimônio Público, Augusto Souza, afirmou que o volume de recursos executados em programas habitacionais chama atenção e levanta suspeitas sobre possíveis desvios.
“É um programa que, nos últimos anos, executou mais de 800 milhões de reais em construção de unidades habitacionais, e a gente vislumbra como um dano hoje projetado, que pode ser estimado no importe de cerca de 80 milhões de reais”, afirmou.
O Ministério Público também solicitou o afastamento temporário de gestores, com o objetivo de garantir a continuidade das investigações sem interferências. De acordo com o promotor, há indícios de que servidores que teriam identificado irregularidades foram desligados, o que também passou a ser analisado no procedimento.
A investigação está em fase inicial e não descarta o envolvimento de outros agentes públicos e privados. A expectativa é que novas etapas ampliem o alcance das apurações e permitam identificar todos os responsáveis.
“É possível que outros nomes surjam. A investigação vai aprofundar sobre esse aspecto. A gente está apenas como se fosse uma primeira fase dessa apuração, para ver se, inclusive, há elementos que indiquem a participação de outros servidores, de outros agentes que possam ter contribuído para essas irregularidades. Com o desenrolar da investigação, a gente espera conseguir ter uma resposta total a respeito dessas irregularidades”, disse.
Em nota, a Agehab informou que a operação não envolve a alta gestão e que os programas da agência seguem normalmente. A instituição comunicou, ainda, que os servidores investigados foram desligados e que colabora com as investigações. Já a construtora citada declarou desconhecer qualquer irregularidade, afirmou atuar dentro da legalidade e disse confiar no esclarecimento dos fatos.




