Goianésia-Um grupo de estelionatários foi investigado pela Polícia Civil de Goiás por montar um evento fictício de luxo usando o nome de uma famosa grife europeia. Segundo a delegada Lara Soares, responsável pelo caso, a líder do esquema, Mayara Cristina Constantino Machado, de 33 anos, criou uma personagem portuguesa chamada Fran de Pierre para enganar fornecedores e possíveis convidados do falso baile de máscaras, que seria realizado no Centro de Cultura, Esporte e Lazer (CEL) da OAB-GO.
Mayara se apresentava nas redes sociais como consultora de imagem e estilo e utilizava seu perfil no Instagram, com mais de 7 mil seguidores, para abordar vítimas tanto para vender supostas bolsas da marca quanto para convidá-las para a festa. Para dar credibilidade à farsa, a suspeita criava e-mails em nome da personagem francesa, enviando mensagens em português e francês para si própria, que depois eram repassadas aos fornecedores.
A polícia estima que o falso evento teria um custo de R$ 12 milhões e contaria com shows de cantores sertanejos famosos. Os prejuízos aos fornecedores já identificados chegam a pelo menos R$ 4 milhões. Até o momento, foram identificadas seis vítimas em Goiás em relação ao evento e uma em relação à venda das supostas bolsas, com potenciais vítimas também no Pará, estado natal de Mayara.
Além da líder, o marido dela e a cunhada, irmã do marido, também integravam o esquema. O trio foi preso no início da semana, mas a Justiça considerou ilegais as prisões em flagrante realizadas sem mandado judicial e determinou a soltura na tarde de quinta-feira (19). Apesar disso, todos terão que usar tornozeleiras eletrônicas e cumprir medidas cautelares.
O casal reside em Goiânia há cerca de três anos e está junto há aproximadamente oito anos. O marido, que recebia os valores do esquema, havia sido servidor público federal, mas pediu exoneração do cargo.
Segundo a delegada, os suspeitos devem responder pelos crimes de estelionato, e a investigação também analisa a possibilidade de associação criminosa e crimes contra a propriedade imaterial, relacionados a direitos autorais e industriais da marca.
A defesa de Mayara e Luiz Paulo afirmou que a prisão foi ilegal e classificou o caso como um desacordo comercial, negando intenção de prejudicar terceiros e reafirmando a inocência dos investigados.
A Caixa de Assistência dos Advogados de Goiás (Casag/OAB) lamentou o ocorrido e se solidarizou com eventuais vítimas do falso evento.




