Vítimas são pressionadas com ameaças por mensagens e ligações

Goianésia-Casos de estelionato com uso de ameaças vêm crescendo em Goiás, principalmente por meio de mensagens e ligações que simulam ações de facções criminosas. O chamado “golpe da facção” utiliza dados pessoais e pressão psicológica para induzir transferências bancárias, gerando prejuízos financeiros e sensação de insegurança.

No quadro “De Olho no Golpe” desta semana, o delegado Marco Antônio Maia, titular da Delegacia de Barro Alto, detalhou como o crime é estruturado e por que tem atingido um número elevado de vítimas.

“Esse golpe ocorre quando criminosos entram em contato com a pessoa já de posse de informações básicas, como nome e telefone. A partir disso, constroem uma narrativa de ameaça, alegando que a vítima teria algum tipo de envolvimento com denúncias ou situações ligadas ao crime. Em seguida, passam a exigir pagamento para evitar um suposto ataque”, afirmou.

Tecnologia amplia alcance das abordagens

De acordo com o delegado, o uso de ferramentas digitais tem tornado as abordagens mais convincentes, elevando o nível de intimidação e dificultando a identificação da fraude.

“Hoje, os criminosos conseguem acessar imagens de endereços e até visualizar a residência da vítima por aplicativos de localização. Em alguns casos, entram em contato com comerciantes ou moradores dizendo que um crime já ocorreu na região e que novas ações podem acontecer, tentando forçar um pagamento imediato”, explicou.

Uso de dados pessoais reforça a fraude

O acesso indevido a informações pessoais é um dos principais fatores que fortalecem esse tipo de golpe. Dados como CPF, telefone e vínculos familiares são obtidos de forma ilegal e utilizados para dar credibilidade à abordagem.

“Essas informações circulam em ambientes clandestinos e permitem que os criminosos construam um perfil detalhado da vítima. Com poucos dados iniciais, eles conseguem identificar parentes, contatos e relações pessoais, tornando a ameaça mais convincente”, disse.

Escolha das vítimas é estratégica

Segundo o delegado, os criminosos selecionam alvos considerados mais vulneráveis, especialmente pessoas que possam estar sozinhas ou sob maior pressão emocional no momento do contato.

“Há uma escolha estratégica. Normalmente, são pessoas que podem se sentir mais pressionadas e que têm algum recurso financeiro disponível. A abordagem é pensada para gerar medo imediato e impedir que a vítima busque orientação antes de agir”, afirmou.

Cobranças aumentam após o primeiro pagamento

Outro ponto de atenção é o comportamento dos criminosos após a primeira transferência, quando as exigências tendem a se intensificar.

“Quando ocorre o primeiro pagamento, eles identificam que aquela pessoa está suscetível e passam a aumentar as cobranças e as ameaças. Existem casos em que as vítimas acumulam prejuízos elevados por continuarem cedendo à pressão”, explicou.

Orientação é não pagar e procurar a polícia

Diante desse cenário, a recomendação é não realizar qualquer tipo de pagamento e acionar imediatamente as autoridades. O registro da ocorrência contribui para as investigações e para o mapeamento desse tipo de crime.

“Em situações de ameaça, a orientação é manter a calma, não fazer transferências e procurar a polícia. Esses registros permitem identificar padrões, localizar os responsáveis e aprimorar as estratégias de combate a esse tipo de prática”, concluiu.