Excesso de velocidade e imprudência agravam cenário

Goianésia- O aumento das chuvas em Goianésia tem impactado diretamente as condições de tráfego, com registros frequentes de ocorrências nas ruas e rodovias da região. Além dos transtornos provocados pela água acumulada e pela visibilidade reduzida, o cenário se agrava com fatores comportamentais dos condutores, o que contribui para a elevação no número de atendimentos de emergência.

Durante entrevista à RVC FM, no programa Fatorama, o comandante do 18º Batalhão Bombeiro Militar, tenente-coronel Dutra, explicou os riscos típicos desse período.

“Com a chuva, cresce o perigo, a imprudência, o excesso de velocidade e a desatenção ao volante. Nesse período chuvoso, os riscos de acidente aumentam de forma significativa. Pistas molhadas, baixa visibilidade e aquaplanagem exigem mais cautela dos condutores.”

Frequência elevada de ocorrências

A rotina de atendimentos revela um quadro recorrente no município, com registros praticamente diários de acidentes, inclusive com vítimas em estado grave.

Segundo o comandante, essa realidade não é pontual. “A gente passa por um momento no nosso município que, eu diria até mais, esse momento talvez seja constante. Nós nos deparamos com números muito altos de acidentes de trânsito, uma frequência muito grande. Se você pegar o nosso plantão do Corpo de Bombeiros, diariamente nós sempre temos relatos de acidentes de trânsito, inclusive com vítimas em estado grave.”

De acordo com ele, o volume de veículos contribui, mas não explica sozinho a situação. A análise aponta para falhas no comportamento de quem utiliza o trânsito.

Falhas de condução e comportamento no trânsito

Entre os principais fatores observados estão atitudes de risco e o descumprimento de normas básicas de circulação, especialmente em cruzamentos e rotatórias.

O comandante detalhou esse cenário. “Nós atribuímos isso, basicamente, à falta do hábito da direção defensiva. Então, nós temos acidentes em cruzamentos, rotatórias e até mesmo em semáforos. Isso denota que uma das partes descumpriu normas de trânsito e a outra também não praticou a direção defensiva.”

Ele também chamou atenção para a pressa constante dos condutores. “Nós percebemos as pessoas conduzindo com muita rapidez. Aparentemente, as pessoas estão com pressa o tempo todo, e isso tem levado a um grande número de acidentes, em especial em dias chuvosos.”

Condições das vias e subnotificação

Além do comportamento, fatores estruturais também entram na análise, como buracos e sinalização, que se tornam mais críticos com a chuva.

Dutra alertou que os números conhecidos não refletem toda a realidade. “O número de acidentes que nós falamos é aquele em que a nossa guarnição foi acionada. Existem inúmeros outros atendidos por terceiros ou apenas com danos materiais. O número real é bem maior.”

Aquaplanagem e perigos nas rodovias

Entre os riscos mais comuns nesse período está a aquaplanagem, que pode levar à perda total do controle do veículo.

O comandante explicou como a situação ocorre e como pode ser evitada. “A aquaplanagem acontece quando há formação de uma lâmina d’água e o veículo trafega em alta velocidade. Para evitar, o condutor deve manter pneus em bom estado, calibragem adequada e controlar a velocidade.”

Ele acrescentou os possíveis desdobramentos desse tipo de ocorrência. “O veículo pode sair de pista, envolver capotamento ou colisão muito grave, causando lesões graves aos ocupantes.”

Velocidade e respeito às regras

A condução em velocidade acima do permitido aparece como um dos principais fatores associados a acidentes com maior gravidade. “A velocidade é o que mata. Quanto maior a velocidade, maior a descarga de energia sobre o ocupante, e isso vai produzir lesões graves. Mesmo que a preferência seja sua, se o outro desrespeitar a sinalização, você pode não ter tempo de evitar o acidente. Por isso, dirigir dentro da velocidade permite até evitar acidentes causados por terceiros.”

Motociclistas e pedestres entre os mais vulneráveis

Os atendimentos mostram predominância de ocorrências envolvendo motociclistas, principalmente em colisões com carros. “A natureza de ocorrência que nós mais atendemos é colisão carro versus motocicleta. O motociclista precisa entender que é a parte mais vulnerável no trânsito. A única proteção é basicamente o capacete. Em caso de queda, há risco de lesões graves e até queimaduras por abrasão. Os pedestres devem trafegar nas calçadas e atravessar na faixa. Nós vemos muitas pessoas compartilhando a via com veículos, o que representa um risco muito grande.”

Novo destacamento em Barro Alto amplia atendimento

A entrevista também abordou a ampliação da estrutura de atendimento com a criação de uma nova unidade na região, recentemente, em Barro Alto.

O comandante explicou o contexto da implantação. “Havia uma necessidade antiga, especialmente pelo crescimento industrial, com a Anglo American, e pelo fluxo na região.”

Segundo ele, a unidade já apresenta resultados práticos. “Em poucos dias de funcionamento, já atendemos várias ocorrências, o que mostra que era necessário levarmos essa estrutura para lá.”

A nova base atua com foco operacional, contribuindo para reduzir o tempo de resposta em acidentes e emergências, especialmente em rodovias como a BR-080. Com a ampliação, o atendimento passa a cobrir de forma mais eficiente áreas que antes dependiam exclusivamente de deslocamentos a partir de Goianésia, melhorando a assistência à população da região.