Goianésia- O ginecologista Marcelo Arantes foi preso nesta semana, suspeito de cometer abusos sexuais contra pacientes em consultórios nas cidades de Goiânia e Senador Canedo, na Região Metropolitana da capital. A prisão preventiva foi cumprida pela Polícia Civil de Goiás, por meio da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Senador Canedo.
De acordo com as investigações, o médico é alvo de denúncias por estupro de vulnerável. Até o momento, 20 mulheres relataram ter sido vítimas dos crimes, que teriam ocorrido durante consultas médicas. Somente em Senador Canedo, 12 casos foram identificados.
Os primeiros registros surgiram ainda em 2017, em Senador Canedo, e outro caso foi denunciado em 2020, em Goiânia. A maior parte das ocorrências, no entanto, teria acontecido mais recentemente, entre 2025 e 2026, nas duas cidades.
Segundo os depoimentos das vítimas, os abusos ocorriam após o médico conquistar a confiança das pacientes ao longo do atendimento. Para a delegada responsável pelo caso, Amanda Menuci, o comportamento investigado apresenta características típicas de um “predador sexual”.
Com mais de duas décadas de atuação na área de ginecologia e reprodução humana, Marcelo Arantes teve a identidade divulgada oficialmente pela Polícia Civil, com autorização judicial, como forma de incentivar outras possíveis vítimas a se manifestarem. Após a exposição, o número de denúncias aumentou significativamente.
Antes da prisão, a Justiça havia negado um pedido anterior de detenção, determinando apenas o cumprimento de medidas cautelares. Com o avanço das investigações e o crescimento do número de relatos, a prisão preventiva acabou sendo autorizada.
A defesa do médico, representada pelo advogado Rodrigo Lustosa, criticou a repercussão do caso, classificando a exposição pública como um “linchamento moral”. Em entrevista, ele afirmou que as denúncias precisam ser apuradas com cautela e que a narrativa apresentada não necessariamente corresponde aos fatos.
O Conselho Regional de Medicina de Goiás informou que o registro profissional do médico foi suspenso por determinação judicial. Em nota, o órgão destacou que todas as denúncias envolvendo conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo, conforme prevê o Código de Processo Ético-Profissional.
As investigações seguem em andamento, e a Polícia Civil não descarta a possibilidade de surgirem novas vítimas.




