Goianésia- De Goianésia para o continente africano. A missionária Irmã Bia Leal, da Congregação das Escravas do Divino Coração, deixou a rotina no interior goiano para atuar em Angola, onde enfrenta uma realidade marcada por dificuldades, mas também por fé e compromisso com o próximo.
A religiosa, que já foi diretora do Colégio Jalles, em Goianésia, relata o cotidiano nas comunidades periféricas onde vive. Segundo ela, a convivência diária com situações de vulnerabilidade social e falta de estrutura básica evidencia os desafios enfrentados pela população local.
“Quando recebi o chamado da minha superiora geral para participar da missão, confesso que senti medo. Medo de deixar meu país e de não saber o que encontraria. Mas, diante de Deus, respondi: ‘Eis-me aqui, Senhor’. Ao chegar, encontrei um povo acolhedor e alegre. O que mais me impressiona é a fé e a esperança, mesmo diante de tanto sofrimento”, relata.
A missionária destaca que a precariedade é visível, inclusive na capital do país. “Moro em um bairro periférico, sem asfalto e sem saneamento básico. O esgoto corre a céu aberto e, quando chove, a situação vira um caos. Isso favorece a proliferação de doenças como malária, febre amarela e febre tifoide”, afirma.
As condições afetam principalmente crianças e idosos, considerados os mais vulneráveis. No ambiente escolar, os desafios vão além da estrutura. A falta de alimentação adequada compromete diretamente o aprendizado.
“A escola tenta oferecer o melhor possível, mas não temos merenda. Muitas crianças chegam sem ter se alimentado e, em alguns casos, fazem apenas uma refeição por dia. Isso impacta no aprendizado. Às vezes, vemos alunos dormindo em sala, não por desinteresse, mas por fome”, explica.
Apesar das dificuldades, a missionária reforça que a educação é o principal caminho para transformar a realidade. O trabalho desenvolvido busca não apenas o ensino acadêmico, mas também a formação humana e social dos estudantes.
Motivada pelo chamado missionário, Irmã Bia atua ao lado de religiosas de diferentes nacionalidades. “Somos quatro irmãs, cada uma de um país: Angola, Venezuela, Brasil e Espanha. Mesmo com culturas diferentes, temos o mesmo propósito, que é servir com amor e levar esperança”, destaca.
Ela também relembra a recente visita do papa como um momento marcante e de fortalecimento espiritual. “Foi uma experiência de encorajamento. Um incentivo a viver a missão como um presente de Deus, com serviço gratuito e generoso”, afirma.
Entre ações sociais, visitas às comunidades e momentos de espiritualidade, a missão segue firme. Mesmo diante das limitações, o trabalho missionário reforça que a esperança é construída diariamente, por meio da solidariedade, da fé e da dedicação às populações mais vulneráveis.




