Goianésia- O avanço do mercado ilegal de medicamentos para emagrecimento tem colocado Goiás no centro de uma rede de contrabando que atravessa fronteiras e utiliza diferentes rotas de entrada no país. A comercialização irregular, impulsionada pela alta demanda e pela oferta em canais informais, tem ampliado a circulação desses produtos sem controle sanitário.
De acordo com a Receita Federal, o estado passou a ocupar posição estratégica nesse tipo de crime, funcionando tanto como corredor de distribuição quanto como ponto final das mercadorias. Dados divulgados pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteira apontam que o comércio ilegal dessas canetas movimenta cerca de R$ 600 milhões no Brasil.
Em 2025, somente em Goiás, foram apreendidos quase R$ 700 mil em medicamentos irregulares. Entre os cinco tipos identificados, apenas um possui autorização da Anvisa para comercialização no país.
O auditor fiscal Guilherme Renovato explica que a localização geográfica favorece a circulação desses itens por diferentes regiões.
“Goiás, por estar no centro do país, acaba sendo rota tanto de passagem para outros estados quanto de destino. As principais rotas para o contrabando dessas canetas são os aeroportos internacionais, com origem principalmente na Europa e nos Estados Unidos.”
Outra origem frequente é o Paraguai, com entrada por vias terrestres.
“Saem principalmente de Cidade del Leste, com entrada no Brasil pelo Mato Grosso do Sul, em direção ao Sudoeste Goiano.”
Estratégias do contrabando
Os medicamentos são adquiridos no exterior por preços mais baixos e revendidos ilegalmente no Brasil, o que aumenta a margem de lucro dos envolvidos. Para driblar a fiscalização, diferentes métodos são utilizados.
“São comuns apreensões de medicamentos do tipo tirzepatida em transportadoras, com falsa comprovação de conteúdo. O gerenciamento de risco da Receita Federal tenta identificar incongruências nessas declarações de transporte e bloqueia essas cargas com fortes indícios de suspeita.”
Além disso, há casos em que os produtos são escondidos em bagagens, compartimentos ocultos e até transportados por pessoas.
As rodovias também são apontadas como rotas relevantes para o transporte irregular. O inspetor da Polícia Rodoviária Federal, Victor Rustiguel, detalha como ocorre esse fluxo.
“Destaca-se o fluxo vindo da região Sudoeste. As chamadas ‘canetas’ têm origem, em sua maioria, no Paraguai. Após ingressarem no Brasil, elas possuem destinos variados: parte segue para Goiânia e Região Metropolitana, enquanto outra parcela é distribuída para diferentes estados do país.”
Segundo ele, as BRs 060 e 364 concentram grande parte das apreensões, por serem corredores logísticos importantes.




