Pena foi convertida em pagamento de um salário mínimo a entidade

Goianésia- O Tribunal de Justiça de Goiás condenou o diretor do Colégio Estadual de Período Integral Dom Abel, em Goiânia, por violência psicológica contra a professora Priscilla Maria Pires Almeida da Silva. Os fatos analisados na ação ocorreram entre 2018 e 2023.

Segundo a sentença, Wanderson Barbosa de Souza recebeu pena de 10 meses de prisão, convertida em pagamento de um salário mínimo a uma instituição filantrópica.

A professora descreveu situações que teriam ocorrido no ambiente de trabalho, incluindo episódios de constrangimento diante de colegas.

“Teve um almoço que a gente fez para a coordenadoria de linguagens. Ela levou uma leitoa e, quando ele viu eu comendo aquele pedaço, jogou um osso na frente de todo mundo e falou assim: ‘Come, sua gorda’”, relatou.

Ela também mencionou impactos na saúde ao longo do período em que permaneceu na unidade escolar.

“Eu fui internada duas vezes enquanto estive trabalhando nessa escola. Eu tive depressão, e ele continua como diretor, mesmo a Justiça tendo condenado ele, mostrando que ele praticava o assédio, a gordofobia, o abuso”, afirmou.

De acordo com a sentença, ficou comprovado que o diretor utilizava sua posição para expor a professora a situações humilhantes de forma recorrente.

O documento aponta que ele proferia ofensas verbais de cunho gordofóbico, como “gorda”, “baleia” e “fedida”, além de episódios de contato físico considerado inadequado.

A decisão também indica que as condutas provocaram abalo emocional significativo, com registros de quadros de depressão e ansiedade, além de afastamentos do trabalho.

A defesa de Wanderson Barbosa de Souza informou que irá recorrer da decisão e contesta os fundamentos da sentença.

Em nota, os advogados afirmam que “a condenação baseou-se em provas frágeis e em uma ação orquestrada por desafetos”, defendendo a absolvição do réu.

Entre os argumentos apresentados, a defesa questiona a origem de um e-mail considerado peça central no processo, alegando que um laudo técnico indicaria que o envio partiu de outro computador, enquanto o diretor estaria de férias.

O recurso de apelação será analisado pelo Tribunal de Justiça de Goiás, que deverá reavaliar o caso. A defesa solicita a absolvição com base na ausência de provas suficientes ou na não participação do réu nos fatos.