Mãe responde por omissão

Goianésia- A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte de Weslenny Lima, de 9 anos, ocorrida em março deste ano, em Alto Horizonte (GO), e indiciou o padrasto da criança pelo envenenamento da comida que teria causado o óbito. Ele vai responder por feminicídio triplamente qualificado e também por tentativa de homicídio contra o irmão da vítima, de 8 anos. A mãe das crianças foi indiciada por omissão.

De acordo com as investigações, as duas crianças passaram mal após consumirem arroz preparado pelo padrasto no dia 27 de março. Weslenny não resistiu. Já o irmão foi socorrido e permaneceu internado por cerca de uma semana no Hospital Estadual do Centro-Norte Goiano (HCN), em Uruaçu, conseguindo sobreviver.

Perícias realizadas na residência identificaram a presença de grânulos escuros, semelhantes ao veneno conhecido como “chumbinho”, misturados ao arroz armazenado na geladeira. Restos do alimento também foram encontrados no lixo da casa, igualmente contaminados.

Um fato que chamou a atenção dos investigadores foi a morte de quatro gatos da família, que teriam ingerido o alimento descartado. Laudos veterinários confirmaram que os animais morreram por intoxicação, assim como a criança.

O padrasto admitiu ter preparado a refeição, o que foi confirmado por câmeras de segurança da residência, mas negou ter colocado veneno na comida. No entanto, as imagens mostram que, durante a refeição, ele se levantou levando um prato com alimento semelhante ao arroz, atitude considerada suspeita pela polícia.

Segundo a investigação, ele evitou consumir o alimento contaminado, o que explicaria o resultado negativo em exame toxicológico realizado posteriormente.

Em depoimento, a mãe das crianças relatou que vivia um relacionamento conturbado com o companheiro, marcado por discussões frequentes. Ela afirmou que o homem costumava manipular calmantes de forma ilegal para fazê-la dormir.

A mulher disse que tinha receio de ser envenenada e, por isso, exigia que o companheiro provasse previamente comidas e bebidas preparadas por ele.

A polícia também encontrou, no celular do investigado, um vídeo em que ele aparece chorando e dizendo que faria algo contra si mesmo e outras pessoas.

Para os investigadores, o contexto de instabilidade e os indícios reunidos ao longo do inquérito apontam para a responsabilidade do padrasto no crime. Já a mãe foi indiciada por manter os filhos em um ambiente considerado de risco, mesmo diante dos sinais de perigo.

O caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento de denúncia à Justiça.