Autoridades alertam para riscos e consequências desse tipo de crime

Goianésia- A atuação de matadores de aluguel tem se mostrado cada vez mais presente em investigações policiais no país. Casos recentes revelam uma estrutura que envolve planejamento, divisão de tarefas e uso de ferramentas digitais para facilitar a execução de crimes e o contato com possíveis contratantes.

Um dos episódios que trouxe visibilidade ao tema foi o assassinato do advogado Cássio Bruno Barroso, registrado em 2024, na cidade de Rio Verde. Na ocasião, a Polícia Civil de Goiás prendeu uma família suspeita de atuar como pistoleiros, além de identificar a participação de um fazendeiro como mandante e de um policial penal que teria fornecido a arma utilizada no crime.

Investigações jornalísticas apontam que grupos em plataformas digitais vêm sendo utilizados para a divulgação desse tipo de serviço ilegal. Páginas e comunidades reúnem centenas de usuários e funcionam como espaço para negociação direta, com promessas de discrição e atuação em diferentes regiões do país.

Em um dos contatos realizados por reportagem, criminosos chegaram a oferecer o assassinato de um alvo fictício pelo valor médio de R$ 4 mil. As conversas incluem pedidos de informações detalhadas da vítima, como endereço, rotina, profissão e idade, indicando um nível de planejamento que antecede a execução do crime.

Os relatos mostram que os acordos variam conforme o executor. Alguns exigem pagamento antecipado, enquanto outros solicitam apenas custos iniciais, como transporte e hospedagem, deixando o valor principal para depois da ação criminosa.

Há estratégias para dificultar o trabalho das autoridades, como o adiamento do pagamento final por semanas após o crime. Segundo os próprios interlocutores, esse intervalo seria utilizado para evitar conexões diretas entre o contratante e a execução do homicídio.