Goianésia- O síndico Cléber Rosa de Oliveira, acusado de matar e ocultar o corpo da corretora de imóveis Daiane Alves, passou nesta semana pela primeira fase da audiência de instrução e julgamento, etapa decisiva em que a Justiça avalia se o réu será levado a júri popular. A sessão ocorreu em Caldas Novas e durou mais de cinco horas.
Ao todo, 13 testemunhas de acusação foram ouvidas durante a audiência. O processo busca reunir elementos que confirmem a autoria e a materialidade do crime, servindo como base para a decisão da magistrada sobre o prosseguimento da ação penal.
A segunda etapa da instrução já está prevista para julho, ainda sem data definida. Nessa fase, devem ser concluídas as oitivas restantes e realizado o interrogatório do réu. Em seguida, a juíza responsável pelo caso poderá decidir pela pronúncia de Cléber, o que o encaminharia formalmente para julgamento pelo Tribunal do Júri.
Nesta fase processual, conhecida como juízo de admissibilidade, a Justiça não define culpa ou inocência, mas analisa se há provas suficientes para levar o caso a julgamento por um conselho de sentença formado por sete cidadãos.
A sessão teve início por volta das 13h30 e se estendeu até o início da noite, devido à complexidade do caso e ao número de testemunhas arroladas pelo Ministério Público. As declarações prestadas detalharam o desaparecimento e as circunstâncias que envolvem a morte da corretora.
Cléber Rosa de Oliveira responde por homicídio e ocultação de cadáver. Ele está preso preventivamente após a Justiça de Caldas Novas negar pedidos de liberdade apresentados pela defesa, com base na gravidade dos fatos investigados.
O caso ganhou forte repercussão em Goiás após a confissão do síndico, em 28 de janeiro, quando ele levou a polícia até uma área de mata às margens da GO-213, onde o corpo da vítima havia sido ocultado. Daiane ficou desaparecida por cerca de 40 dias.
Segundo a investigação, a corretora teria sido atraída para uma emboscada após o corte proposital de energia elétrica em seu apartamento, o que a levou a descer ao subsolo do condomínio onde morava e trabalhava.
A motivação apontada no inquérito é uma desavença profissional. Daiane havia assumido a administração de imóveis que antes estavam sob responsabilidade do síndico, o que teria gerado conflito no setor imobiliário local.
Provas e desdobramentos
As investigações avançaram com a confissão e a indicação do local onde o corpo foi encontrado. Outro elemento considerado decisivo foi a localização do celular da vítima, encontrado dentro da caixa de esgoto do condomínio.
De acordo com a apuração, vídeos recuperados do aparelho teriam registrado o momento do ataque, reforçando as provas contra o acusado.
Na época do crime, o filho do síndico, Maicon Douglas, chegou a ser preso sob suspeita de envolvimento, mas foi liberado posteriormente por falta de indícios que justificassem sua manutenção na prisão.
Com a continuidade da audiência marcada para julho, o caso segue em fase de instrução antes da decisão que poderá levar o réu a julgamento pelo Tribunal do Júri.




