Método reduz dor no pós-operatório e risco de infecções

Goianésia-Os avanços da medicina têm transformado a forma como os procedimentos cirúrgicos são realizados, com técnicas cada vez menos invasivas e mais tecnológicas. Entre essas inovações, a videolaparoscopia vem ganhando espaço em diferentes especialidades e se consolidando como uma alternativa mais segura e precisa em muitos casos.

A médica residente em cirurgia geral no Hospital do Centro-Norte Goiano, em Uruaçu, Luanna Fonseca, explica como a técnica funciona e destaca seus impactos na prática cirúrgica.

“No procedimento de videolaparoscopia, utilizamos uma microcâmera e instrumentos específicos que são introduzidos por pequenas incisões na região abdominal. Já existem também cirurgias torácicas por vídeo. A imagem captada por essa câmera é ampliada em um monitor, o que permite visualizar com precisão as estruturas que serão operadas”, explica.

Segundo a médica, o método é conhecido popularmente por nomes como “cirurgia dos furinhos”, mas o termo “cirurgia a laser” não está correto. Ela também destaca que a técnica evoluiu ao longo dos anos e hoje já conta com a cirurgia robótica como uma das inovações mais recentes.

De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), procedimentos minimamente invasivos podem reduzir significativamente o tempo de internação hospitalar e as complicações no pós-operatório.

Luanna detalha as etapas do procedimento. “A cirurgia é realizada após a anestesia. Fazemos pequenas incisões na pele em locais estratégicos, de acordo com cada procedimento. Em seguida, introduzimos o trocarte, por onde realizamos o pneumoperitônio, que consiste na insuflação do abdômen com gás carbônico (CO2), permitindo a distensão da cavidade e mais segurança durante a operação. Depois disso, inserimos a câmera e os demais instrumentos necessários”, afirma.

Ela reforça que todo o procedimento é guiado por imagem em tempo real. “A cirurgia é feita com o auxílio da câmera, que transmite tudo para um monitor, permitindo que a equipe acompanhe cada etapa com precisão.”

Além dos avanços tecnológicos, a especialista destaca os benefícios diretos para os pacientes. “A cirurgia, em si, é uma agressão ao corpo, independentemente do tipo. Nas cirurgias abertas, essa agressão é maior, o que pode gerar mais consequências. Já na videolaparoscopia, por ser minimamente invasiva, há menos dor no pós-operatório, menor risco de infecção e menor sangramento. Além disso, a alta hospitalar costuma ser mais precoce, a recuperação é mais rápida e o resultado estético é melhor, já que as incisões são pequenas. Isso também contribui para o retorno mais rápido às atividades do dia a dia”, explica.

A ampliação do uso da videolaparoscopia reforça uma tendência de modernização na medicina, com impacto direto na segurança dos procedimentos e na recuperação dos pacientes, acompanhando a evolução constante das tecnologias aplicadas à saúde.