Medida pretende reforçar a preservação histórica e ampliar as ações de conscientização sobre os impactos da radiação

Goianésia - A Assembleia Legislativa de Goiás aprovou, em segunda votação, o projeto de lei que autoriza a criação de um memorial em homenagem às vítimas do acidente radiológico com o césio-137, ocorrido em Goiânia em 1987. A proposta recebeu 27 votos favoráveis durante sessão realizada nesta segunda-feira (1º) e agora segue para análise do Governo de Goiás, que poderá sancionar ou vetar a matéria.

De autoria do deputado estadual Karlos Cabral, o texto prevê a instalação de um monumento em formato de obelisco na capital goiana. A estrutura deverá ser construída, preferencialmente, em locais de grande circulação de pessoas, como a Praça do Trabalhador ou o Setor Aeroporto, bairro onde ocorreu o episódio que marcou a história de Goiás e do Brasil.

Segundo a justificativa apresentada pelo parlamentar, o objetivo é preservar a memória das vítimas e criar um marco permanente de reflexão sobre uma das maiores tragédias radiológicas já registradas no mundo. A proposta destaca que o modelo arquitetônico do obelisco é amplamente utilizado em diferentes países como símbolo de homenagem e preservação histórica.

Além da construção do monumento, o projeto estabelece a criação de uma data anual de homenagem. A intenção é que, em 13 de setembro, sejam realizadas solenidades cívicas e militares junto ao memorial, com a participação de representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de integrantes das forças de segurança pública.

O acidente com o césio-137 teve início em 13 de setembro de 1987, após o desmanche irregular de um aparelho de radioterapia abandonado em uma antiga clínica da capital. O material radioativo foi retirado do equipamento e acabou sendo manuseado por diversas pessoas sem qualquer conhecimento dos riscos envolvidos.

A contaminação provocou uma das maiores emergências radiológicas da história, mobilizando especialistas nacionais e internacionais. De acordo com registros oficiais, mais de seis mil pessoas foram monitoradas por suspeita de exposição à radiação, enquanto centenas apresentaram algum grau de contaminação.

Considerado o maior acidente radiológico ocorrido fora de instalações nucleares no mundo, o episódio deixou impactos sociais, ambientais e de saúde que permanecem presentes na memória da população goiana quase quatro décadas depois.