Goianésia - Um homem de 30 anos foi preso em Goiás, suspeito de utilizar imagens produzidas por inteligência artificial para se passar por policial militar. O caso veio à tona após uma denúncia feita pela ex-namorada do investigado, que descobriu que ele não fazia parte da Polícia Militar de Goiás (PMGO) e decidiu encerrar o relacionamento. Segundo a corporação, o suspeito confessou ter criado as imagens, mas afirmou que agiu com a intenção de ajudar a então companheira em uma questão envolvendo a recuperação de um veículo no Pará.
Conforme a Polícia Militar divulgou, o homem mantinha perfis nas redes sociais nos quais aparecia vestido com uniforme da PMGO, induzindo terceiros a acreditar que integrava a instituição. Entretanto, a polícia esclareceu que ele nunca pertenceu aos quadros da corporação.
Denúncia surgiu durante acompanhamento do Batalhão Maria da Penha
As investigações tiveram início durante o atendimento prestado pelo Batalhão Maria da Penha (BMP), responsável pelo acompanhamento de mulheres beneficiadas por medidas protetivas de urgência.
De acordo com a vítima, o relacionamento durou cerca de um mês e terminou após ela descobrir que o companheiro utilizava uma identidade falsa. Após o rompimento, a mulher procurou as autoridades relatando ter sido ameaçada pelo ex-namorado.
Ainda segundo o depoimento, ela informou que o suspeito possuía uma arma de fogo e revelou ter encontrado uma faca escondida sob o carpete do próprio veículo. Conforme relatado à polícia, o homem teria dito que o objeto era utilizado para sua segurança.
Diante das informações apresentadas, a Justiça concedeu medidas protetivas, proibindo qualquer aproximação ou contato do investigado com a ex-companheira e seus filhos.
Suspeito tentou fugir durante abordagem
Durante a ação policial, o homem teria tentado fugir, sendo posteriormente detido. Ele foi encaminhado à Central Geral de Flagrantes, onde foi autuado pelo crime de desobediência e teve registrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO).
Segundo a Polícia Militar, os demais fatos constatados durante a ocorrência, entre eles a suposta utilização de identidade funcional falsa, o uso indevido de fardamento e a apresentação como integrante da corporação, serão apurados pela Polícia Civil.
Os materiais apreendidos passarão por perícia para identificar há quanto tempo a falsa identidade vinha sendo utilizada e em quais circunstâncias ela teria sido empregada.
Por determinação judicial, o investigado deverá utilizar tornozeleira eletrônica.
Suspeito admite uso de IA e nega outras acusações
Em entrevista à TV Anhanguera, o homem admitiu ter utilizado inteligência artificial para criar as imagens em que aparecia fardado. No entanto, negou ter buscado qualquer benefício pessoal e alegou que a iniciativa tinha como objetivo auxiliar a então namorada em um processo relacionado à liberação de um veículo no estado do Pará.
Ele também contestou as acusações feitas pela ex-companheira, afirmou não possuir armas de fogo e declarou que policiais teriam entrado em sua residência sem mandado judicial.
Caso será investigado pela Polícia Civil
Conforme a Polícia Militar de Goiás, as circunstâncias envolvendo a suposta falsa identidade, o eventual uso indevido do uniforme da corporação e outras possíveis infrações serão analisadas pela Polícia Civil de Goiás, responsável pela continuidade das investigações. Até a conclusão do inquérito, a apuração seguirá para verificar se o investigado utilizou a falsa condição de policial em outras situações e se houve obtenção de alguma vantagem por meio da fraude.




