Goiás mantém taxas altas, mesmo com proposta de baratear

Goianésia-As propostas de mudança nas regras de formação de condutores têm gerado preocupação entre instrutores e proprietários de autoescolas em Goianésia. A possibilidade de reduzir a carga horária, flexibilizar aulas práticas e permitir a atuação de instrutores autônomos levanta temores sobre impactos diretos na segurança no trânsito e na qualidade do ensino.

Profissionais da área afirmam que, embora as alterações sejam apresentadas como forma de baratear a CNH, o efeito pode ser inverso: menos preparo para os condutores e maior risco de acidentes.

A instrutora Ana Lúcia, de uma autoescola da cidade, explica que a redução de horas obrigatórias prejudica a formação dos novos motoristas. “Hoje temos um curso teórico de 45 horas e 20 horas de aulas práticas. Com essas mudanças, haverá prejuízo significativo para o trânsito. Poderia até ficar mais barato para quem tem baixa renda, mas a qualidade da formação cai. Com menos aulas, como alguém que nunca dirigiu poderá se sair bem? Na minha opinião, os pontos negativos superam os positivos. O trânsito pode ficar ainda mais caótico.”

Os instrutores ressaltam que o principal entrave para reduzir o preço da CNH continua sendo as taxas estaduais, que permanecem entre as mais altas do país. A resolução em debate não altera esses custos, limitando o efeito financeiro das mudanças.

“A nova lei permite instrutores autônomos, mas isso não reduz as taxas. Teremos que manter carros adaptados, cumprir todas as exigências do Detran. Quem trabalha como instrutor depende desse serviço para sustentar a família. A mudança poderia ser positiva se reduzisse os custos, mas em Goiás a carga tributária é muito pesada”, afirma Ana Lúcia.

O impacto já é percebido nas autoescolas da cidade, que relatam que alguns candidatos preferem aguardar uma eventual redução de preços. Segundo empresários do setor, essa queda dificilmente ocorrerá.

O proprietário de autoescola Lucas Damasceno explica que a redução de aulas obrigatórias tende a valorizar o preço da hora/aula, encarecendo o processo para quem precisar de reforço. “Se o aluno precisar de dez aulas extras, ele pode gastar mais, assim como acontecia nos anos 2000. Muitos esperam que o governo diminua os preços, mas com menos aulas, o valor da hora/aula tende a subir.”

Possibilidade de suspensão da resolução

Há ainda a possibilidade de que as novas regras nem entrem em vigor. Uma comissão da Câmara dos Deputados avalia a suspensão da resolução, e projetos já tramitam para barrá-la antes da publicação oficial.

“Quem pretende tirar a carteira deve aproveitar as condições atuais, principalmente neste fim de ano, pois as discussões podem levar meses. É uma oportunidade de iniciar o processo de habilitação com preços mais acessíveis”, orienta Lucas Damasceno.

Especialistas lembram que o processo atual de formação de condutores é resultado de anos de aprimoramento nas cargas horárias e nos métodos de ensino. Em cidades como Goianésia, onde o trânsito cresce junto com a expansão urbana, reduzir etapas da formação representa risco adicional à segurança viária.